Vem aí a pílula masculina

Um novo método anticoncepcional, à base de hormônios que impedem os homens de produzir espermatozóides, preveniu a gravidez em 55 mulheres. A experiência, patrocinada pela organização de planejamento familiar Conrad (que só disponibiliza recursos para estudos fora dos EUA e trabalha em parceria com a Organização Mundial da Saúde), conseguiu interromper a produção de espermatozóides nos companheiros dessas mulheres. A experiência foi dividida em duas etapas. Nos primeiros três a seis meses, os homens tomaram testosterona e progestina - dois hormônios usados em anticoncepcionais femininos - para cessar a produção de espermatozóides. ?Com a associação dos hormônios, o cérebro interrompeu os sinais que normalmente envia para os testículos. Conseqüentemente, eles deixaram de produzir espermatozóides?, disse Rob McLachlan, diretor do instituto de pesquisas de Sidnei, na Austrália, responsável pela pesquisa. Quando a produção chegou a zero, ou perto de zero, começou a segunda fase de testes, de mais 12 meses. Os casais suspenderam o uso de qualquer outro método contraceptivo e os homens continuaram a receber implantes de cápsulas de testosterona, na pele, e injeções de progestina. Nenhuma mulher engravidou e nenhum homem perdeu a potência sexual. Ao final do estudo, os níveis de produção de espermatozóides voltaram ao normal. Duas indústrias do ramo farmacêutico já manifestaram interesse pela pesquisa. Mas ainda vai levar alguns anos, segundo McLauchlan, para que o novo método anticoncepcional chegue às prateleiras das farmácias: mais testes em voluntários devem ser feitos por períodos maiores.

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