Velório do presidente do PP só deve começar à meia-noite

Nélio Dias, vítima de câncer no pulmão, será velado no Palácio da Cultura, em Natal

20 de julho de 2007 | 21h50

O velório do deputado Nélio Dias, presidente nacional do PP, só deve começar à meia-noite, no Palácio da Cultura, no centro de Natal. O atraso na liberação do atestado de óbito do parlamentar de 62 anos provocou a mudança de horário na saída do vôo de São Paulo para a capital potiguar, o que só aconteceu depois das 18 horas.  Uma missa de corpo presente será celebrada no local do velório, antiga sede do governo do Estado. Quatro salas do palácio estão destinadas a familiares do deputado. É aguardada a presença de Mário Negromonte, líder do PP na Câmara dos Deputados, no funeral do deputado, além do ministro das Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula enviou mensagem de condolências à família do presidente do PP. "Neste momento de tristeza e pesar, transmito minha solidariedade à família e aos amigos do deputado Nélio Dias, que teve atuação destacada como presidente do PP e vice-líder do partido na Câmara", afirma, na mensagem, de acordo com informação divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A governadora Wilma de Faria (PSB) deu ao Comitê em Defesa da Transposição do Rio São Francisco, instalado nesta sexta-feira, 20, no Rio Grande do Norte, o nome do deputado federal Nélio Dias.  Criador de cabra Voz que gritava contra os juros altos impostos aos agricultores, o presidente do PP era um dos maiores criadores de cabra do Rio Grande do Norte. Foi empresário da indústria de confecções, dirigindo a fábrica Reis Magos e começou a alcançar destaque na vida pública ao presidir o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (1995-1996), quando implantou o plano de cargos dos servidores da Casa e ergueu o prédio da nova sede do TCE-RN. Ele ainda exerceu o cargo de secretário da Agricultura do Rio Grande do Norte, no governo do hoje senador, Garibaldi Alves Filho (PMDB). A governadora Wilma de Faria (PSB), que pediu 1 minuto de silêncio ao saber da morte do deputado durante ato oficial na Assembléia Legislativa, lamentou a morte de Nélio, quando este vivia seu melhor momento no cenário nacional. "Perdemos um bravo sertanejo, profundo conhecedor das questões do nosso Estado, do Nordeste e do Brasil", enfatizou Wilma, adversária de Nélio Dias. Fumante, o deputado resistiu à doença por cinco anos. Durante a primeira campanha para a Câmara em 2002, começou a sofrer com um câncer, que começou nos rins e depois atingiu os pulmões. Foi justamente, em uma sessão de quimioterapia no Hospital Sírio Libanês, que o presidente do PP teve um aneurisma cerebral, ficou em coma e teve a morte encefálica, decretada pelos médicos Riad Younes e Antonio Lira às 16h30 da quinta-feira. O PT local também chora a morte de Nélio Dias. A deputada Fátima Bezerra, maior expressão do partido no Estado, disse que o governo Lula perdeu um de seus principais aliados e o povo do Rio Grande do Norte, um de seus mais combatentes defensores. Nélio consolidou-se como liderança política em 1998, quando liderou o I Grito da Seca, na época um ato inovador de crítica contra a política do governo FHC para a agricultura, contra os juros do Banco do Nordeste, atraindo para a cidade de Lajes, no sertão potiguar, inúmeras lideranças do setor agrícola brasileiro. Ele comandou mais duas edições do evento.

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