Veja perfil de Gil e relembre sua gestão no ministério da Cultura

Ele anunciou seu desligamento da pasta para se dedicar a projetos pessoais; Gil foi nomeado no 1º mandato Lula

da Redação

30 Julho 2008 | 19h00

Ambientado no meio musical, o cantor e compositor Gilberto Gil trocou de ares no começo dos anos 90, quando foi eleito vereador na sua cidade natal, Salvador. Em 2003, convidados pelo presidente Lula em seu primeiro mandato, ocupou a cadeira de ministro da Cultura, onde ficou até 2008.   Baiano, Gil nasceu no bairro do Tororó, região pobre da capital baiana, em 26 de junho de 1942. Para tentar uma vida melhor, a família toda resolve se mudar para o interior do Estado   Cursando administração, Gil conhece Caetano Veloso, sua irmã Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Foi a irmã de Caetano que lançou Gilberto Gil nacionalmente como compositor nos anos 1960. Foi um dos líderes do Tropicalismo, movimento que trouxe inovações estéticas e novas preocupações.   Formou-se em 1965 e muda-se com a esposa Belina para São Paulo. Na ditadura militar, ao lado de Caetano, Gil foi preso devido a supostas atividades subversivas. Depois da anistia, ambos exilaram-se em Londres.   No inícios dos anos 90, se elege vereador em Salvador, a cidade natal. Ficou de 1989 a 1992.Em 2003, foi nomeado ministro da Cultura, o que gerou diversas críticas de personalidade do meio artístico.   Gil já havia antecipado sua saída neste ano em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, no ano passado. Em justificativa, disse que os discursos prejudicam suas cordas vocais. "Treinei minha voz para o canto, e não para discursos", foi sua declaração.   Divergências com artistas   O projeto da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) gerou críticas de artistas durante a gestão de Gil. A proposta do governo pretendia regulamentar e disciplinar a atividade audiovisual no país. Em 2004, os termos de criação da Ancinav desagradam aos setores do audiovisual. O cineasta Arnaldo Jabor diz que "o governo é liberal de dia, stalinista à noite".   Devido a pressões e críticas, o governo desiste no ano seguinte do texto da Ancinav e passa a falar na Lei Geral de Comunicação de Massa, que seria mais abrangente. Em 2005, artistas de teatro manifestam descontentamento com a gestão de Gil. Paulo Autran diz que o ministro não fez nada pelo teatro e Marco Nanini faz coro. O ministro argumenta que "o teatro consagrado" de atores como Autran e Nanini não deve ser prioridade.   Ainda em 2005, uma nova polêmica. O poeta Ferreira Gullar critica a "centralização" da política de Gil. A crítica é rebatida pelo secretário de Políticas Culturais do Minc, Sérgio Sá Leitão. Intelectuais como Oscar Niemeyer e João Ubaldo Ribeiro lançam abaixo-assinado de apoio a Gullar e pedem a demissão de Leitão   No ano seguinte, Caetano Veloso, amigo de Gil, defende Gullar e alerta para risco de "totalitarismo".   Promessa pendente   Desde que assumiu o ministério, Gil vê a necessidade de reformular a lei que permite isenção fiscal a partir da destinação de recursos à produção artística. Segundo Gil, a legislação permite que as empresas invistam apenas em espetáculos e ações de grande visibilidade, principalmente na Região Sudeste. No entanto, nada mudou.   No começo de julho, quando Gil estava licenciado e em turnê pela Europa, seu braço direito assumiu interinamente a pasta e conversou com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), para tentar uma proposta de reforma de lei. Ele apresentou um projeto mais amplo, que envolve toda a cultura e que é a superação dos limites e entraves da atual Lei Rouanet.   Segundo ele, os entraves seriam a concentração de investimentos da iniciativa privada especialmente em produções culturais que dêem retorno, em termos de imagem, e que se localizem sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo.   Principais realizações   Gil criou em maio de 2008, o Plano Nacional de Cultura (PNC). O programa tem por finalidade o planejamento e implementação de políticas públicas para promover a diversidade cultural, artística e étnica.   Outro aspecto positivo no comando da pasta foi o reconhecimento como Patrimônio Cultural Brasileiro de elementos da cultura regional como a capoeira, o frevo, o samba de roda e a pintura corporal dos índios.   O Minc também criou um programa direcionado à população afro-brasileira, com ações direcionadas ao desenvolvimento das comunidades de tradição afro-brasileira, inclusive as comunidades remanescentes de quilombos e os terreiros.

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