Veja como a greve do INSS afeta o atendimento

O debate da reforma da Previdência, as negociações dos partidos no Congresso e as reivindicações dos servidores públicos em greve não interessam à ajudante geral Angela dos Santos Silva, de 17 anos. Sua realidade hoje chama-se Gustavo, seu filho de 27 dias. Para dar à luz ao bebê, ela teve de se afastar do emprego no dia 8 de julho, mesma data em que os funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paralisaram o atendimento nos postos de São Paulo. Por causa disso, Angela passou um mês com toda papelada para a licença maternidade parada e com o orçamento doméstico apertado. ?As contas não esperam, criança dá muito gasto?, reclama ela. Nesta quarta-feira, Angela conseguiu, enfim, encaminhar sua licença na agência do INSS de Vila Prudente, na zona leste da capital. Às 13 horas, dividia a sala de espera do local com outras 80 pessoas atrás de benefícios como aposentadoria, pensão, auxílio doença, auxílio reclusão, licença por acidente de trabalho, entre outros. A agência de Vila Prudente reabriu suas portas na segunda-feira, e desde então vem fazendo mais de 500 atendimentos diários. O normal, de acordo com os funcionários, é atender no máximo 400 pessoas. Para lidar com o excesso de procura, os funcionários organizaram um sistema de senhas coloridas, que separam solicitações mais simples das mais complexas. As de cor rosa, para pedidos de aposentadoria, são as mais solicitadas.A espera média de quem buscava esse tipo de benefício ontem era de no mínimo duas horas. ?Nós estamos improvisando cadeiras para que as pessoas não fiquem em pé?, explicou a chefe da agência de Vila Prudente, Rosana Alcazar.Sentada há quase duas horas em uma das tais cadeiras, a dona de casa Sônia Curi Cabral de Lima, de 77 anos, aguardava sua vez para regularizar a documentação da pensão para a qual deu entrada há um mês e meio. Seu marido, um metalúrgico aposentado, morreu há dois meses. ?Estou costurando para fora para ver se ganho alguma coisa?, afirmou Sônia. Ela mora com o filho, mas ele está desempregado. ?Preciso desse dinheiro logo para pagar minhas dívidas?, completou a dona de casa, que, assim como a maioria das pessoas presentes na agência, não está interessada em saber o que se passa em Brasília. ?Só fiquei vendo quando iria acabar a greve, não entendo dessa coisa de política.? Todos os serviços, só na Vila PrudenteQuatro das 27 agências do INSS existentes em São Paulo estão atendendo normalmente ao público, das 8 horas às 14 horas: shopping Eldorado, Amador Bueno, Corinthians-Itaquera e Vila Prudente. As de Cidade Dutra e Vila Mariana operam parcialmente. E de todas, só Vila Prudente presta todos os serviços. Por isso, a agência está recebendo gente de todas as regiões da cidade. A funcionária pública Luciana Galeano, de 25 anos, por exemplo, saiu pela manhã do Tucuruvi, na zona norte, pegou dois ônibus e o Metrô e chegou à tarde à Vila Prudente. Ela procurou o INSS para conseguir o auxílio acidente de trabalho ? quebrou o braço em serviço na sexta-feira. ?Tem um posto do INSS do lado de minha casa, mas está fechado?, reclamava ela, enquanto aguardava o atendimento. Já estava ali há duas horas e meia.

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