Veja a íntegra do pronunciamento de Renan Calheiros

Presidente do Senado usa tribuna para se defender de denúncias envolvendo espionagens contra senadores

09 de outubro de 2007 | 21h19

"Ocupo mais uma vez a esta tribuna - espaço que é nosso, igualitário e democrático - para repudiar mais uma indignidade que o mau jornalismo me atribui de forma tão infame, tão abjeta. Jornalismo esse que já é visto pelas cabeças preocupadas com o futuro da democracia no País como uma ofensiva de ação partidária com já foi bem conceituado no passado. No Brasil esta conceituação parece corporificada e nosso jornalismo já não informa de maneira isenta e imparcial. Ele persegue objetivos políticos. Chegamos a um ponto em que o experiente jornalista Paulo Henrique Amorim batizou em seu site na internet de "Partido da Imprensa" associado a um adjetivo nada abonador que eu prefiro não reproduzir aqui. Todas as mentiras desta cooperativa da calúnia contra mim, até aqui foram derrubadas pela força da verdade, todas falsas imputações foram desmentidas com documentos que eu apresentei, todas as acusações torpes foram desmascaradas. A todo instante que uma delas era lançada nesta campanha para derrubar o Presidente do Congresso - isso não é nada mais que uma campanha para derrubar o Presidente do Congresso - sempre encontrou uma voz para ecoá-la. Gostaria de recordar, sem cansá-los, as mais gritantes denúncias deste linchamento desumano. Fui falsamente acusado de ter socorrido-me de terceiros para pagar contas pessoais. Ruiu a falsa acusação que não tinha uma prova. Nada. A mesma mídia sustentou que utilizei notas frias para justificar receita. Isso foi repetido milhões de vezes. Mentira que foi desmoralizada quando a Polícia Federal atestou a autenticidades de meus documentos. Imputaram-me a venda de gado acima do mercado. Outra farsa que o laudo da Perícia Federal desmontou. Apontaram- me como sonegador por ter omitido um bem e ter utilizado laranjas. O imposto de renda que eu distribui aniquilou esta fraude. Disseram - o mesmo jornalista que hoje volta a me atacar - que eu tinha ligações com bicheiros. Não mostrou uma prova da bizarra associação. Acusaram-me de corrigir o imposto de renda depois das denúncias. Impostura desmentida pela Receita Federal. Estas são as denúncias que mais vezes foram repetidas. Já fui julgado pelo Senado Federal quanto a mais rumorosa das acusações. Apesar da campanha inusitada e sem precedentes na história fui absolvido pela maioria absoluta desta Casa. Melhor do que a absolvição é merecê-la. O processo resultou em uma devassa de minha vida e da minha família. Sei o que isso representa e, por isso, não o desejo a não faria o mesmo a ninguém. Sempre me defendi à luz do dia, às claras, sem movimentos sorrateiros, conversando com as pessoas, respondendo diariamente a todo tipo de perguntas aqui mesmo. Transferi ao presidente Tião Vianna a condução das representações, fiz a prova negativa - a mais difícil em qualquer processo -, abri voluntariamente meus sigilos fiscal, bancário e contábil, expus minha vida privada com a dor que isso me custou, pedi ao Ministério Público que me investigasse, prestei esclarecimentos ao Conselho de Ética, continuarei a prestá-los e cheguei até mesmo a abdicar de prazos para defesa. Fiz isso com a convicção de que a retórica pode persuadir, mas só a verdade repara. A verdade é mais forte do que os exageros das paixões políticas. Em todos os momentos que as velhas denúncias vão ficando frágeis, vão caducando por inverídicas e ficando débeis por inconsistentes, busca-se uma nova trama para envenenar o ambiente e indispor-me com os senhores senadores e senadoras e alimentar artificialmente a crise. A tática é conhecida e até já foi utilizada recentemente. Ontem divulguei uma nota pública para deplorar uma denúncia manufaturada de que teria entrado ao pantanoso submundo da arapongagens a fim de espionar colegas. É mentira. Repito. É mentira. Não pedi, não ordenei, não autorizei, não deleguei, não encomendei nenhuma atrocidade como esta. Eis a resposta de parte da mídia. Minimiza o desmentido e amplia a calúnia de maneira torpe, irresponsável, sem provas e sem autores, fato este - denuncismo sem provas e agora até sem autor - que já esta se tornando rotina quando o objetivo é político. Os senhores me conhecem e sabem que minha personalidade e a minha prática é da convivência, da harmonia e do diálogo. Posso até ser vítima de práticas inescrupulosas como estas, aliás como fui, quando alertei ao Brasil sobre gravações clandestinas contra mim. Ninguém deu bola, fui desmentido na ocasião e quem negou a existência dos grampos acabou entregando as gravações clandestinas ao Conselho de Ética. Apesar disso, os senhores tenham certeza de que jamais fui ou serei autor de iniciativas tão repugnantes, tão sombrias e tão sórdidas. Neste caso eu também sou vítima. Garanto aos senhores e senhoras senadoras. Tenho respeito individual a cada um dos senhores, a cada uma das senhoras. Mas tenho mais respeito pelo mandato que cada um conquistou legitimamente a partir da vontade soberana do eleitor. Por isso asseguro: Não fiz, não farei nenhuma espécie de levantamentos sobre a vida pessoal ou política de nenhum dos senhores ou senhoras. Bisbilhotar a vida a alheia não é uma prática que eu aprove, muito menos incentive, autorize ou concorde. Jamais um servidor de carreira do Senado, que fez sua vida aqui, cujo futuro dele e da família está aqui iria se prestar a um papel indigno e ilegal como o que foi relatado. Para não haver dúvida quanto à minha conduta quero deixar claro que sou favorável à completa investigação em qualquer âmbito em relação aos dois casos. Estou aqui hoje desmentindo mais esta infâmia e sei que poderei responder por outras na próxima semana. Não se surpreendam se surgir outra invencionice, outra maluquice qualquer. São esquizofrenias políticas a procura de um autor. Mas eu não recuo. Vou até o limite para defender minha honra, para provar a verdade, para dizer aos meus eleitores, aos meus amigos, à minha família, que sou um homem digno e continuo à altura do mandato que me foi conferido pelos alagoanos. Não desonrei este mandato, como não desonrei esta presidência. Não quebrei decoro algum. Alguns podem até suspeitar das minhas palavras - é um direito - ,mas não podem duvidar do que eu faço. Por isso estou aqui. Para enfrentar até o fim. Estou aqui - de novo - para provar que sou um inocente, um inocente que paga o preço de uma batalha desigual, mas que vai até o fim e por isso não fiz acordos, nem conchavos tão corriqueiros em ambientes políticos. Só um inocente pode optar pelo risco como venho fazendo. Quanto à substituição dos Senadores Jarbas Vasconcellos e Pedro Simon na Comissão de Constituição e Justiça que a mim tentaram atribuir, devo esclarecer que sou Presidente do Senado e se há algum interesse nisso provém daqueles que estimulam a discórdia. É uma questão do partido, dos líderes de cada partido e eu sei respeitar as instâncias partidárias."

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