Veja a íntegra da fala de Lula sobre o mínimo

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, falou hoje em seu programa de rádio, "Café com o Presidente", sobre o reajuste do salário mínimo. Veja a integra do programa apresentado pelo jornalista Luís Fara Monteiro.Luís Fara Monteiro: Alô amigos, em todo o Brasil. Eu sou Luís Fara Monteiro e está começando mais uma edição do "Café com o Presidente", o programa de rádio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nós estamos gravando esta edição neste domingo, dia 2 de maio, na cidade de São Bernardo do Campo, na residência do presidente Lula. Presidente, como é que o senhor passou o Dia do Trabalhador, o 1º de Maio, aqui, em São Paulo?Presidente Lula: Este ano eu passei o 1º de maio igual passei o ano passado. Eu vou à missa na Matriz, aqui em São Bernardo, desde 1980, portanto, são 24 anos que nós fazemos a Missa do Trabalhador. Eu participei da missa e depois fiquei em casa com a minha família. Não fui aos outros atos, porque nós temos quatro Centrais no Brasil. Preciso tomar cuidado em participar de um ato e não participar de outro. Pode criar problemas na relação que o Estado tem que ter com o movimento sindical.Eu acho que o 1º de Maio, é igual a todos os outros, ou seja, é o momento em que os trabalhadores fazem as suas grandes reivindicações; é o momento, no Brasil e no mundo inteiro, em que os trabalhadores protestam por aquilo que não conseguiram durante o ano inteiro. E eu acho que assim é que a gente vai consolidando o processo democrático no Brasil.Luís Fara Monteiro: Presidente Lula, o aumento de 20 reais no salário mínimo ainda está repercutindo na sociedade. O que o senhor pode falar sobre isso?Lula: Olha, nós tivemos uma grande discussão sobre o reajuste do salário mínimo. E por que uma grande discussão? Porque nós temos um problema entre os trabalhadores da iniciativa privada e os trabalhadores que estão aposentados e que recebem da Previdência Social. Para os trabalhadores da iniciativa privada, você poderia decretar o mínimo de 400 reais, 450 reais, porque muitas empresas já pagam isso, ou mais do que isso. Qual é o nosso problema ao decretarmos o salário mínimo? É o rombo da Previdência Social. Ou seja, nós temos, este ano, um déficit de 31 bilhões de reais e nós vamos consertar isso ao longo do tempo. Foi por isso que nós fizemos a reforma da Previdência Social, para corrigir esse rombo que a Previdência tem. Além disso, a Previdência tem um passivo de 200 bilhões de reais, ou seja, pessoas que não concordam com alguma contribuição que têm que pagar para a Previdência, ao invés de pagar, entram na Justiça e, portanto, a Previdência fica com 200 bilhões para receber e não recebe. E isso faz com que o caixa da Previdência não tenha o dinheiro que nós gostaríamos que tivesse, para dar um aumento maior do salário mínimo.E nós tivemos uma outra grande preocupação, ou seja, elevar o salário mínimo em mais 10 reais significaria você gastar, em 12 meses, mais três bilhões de reais. Ou seja, seria apenas você aumentar o rombo da Previdência Social. Ora, nós tivemos o cuidado de dar o reajuste da inflação e um pouquinho a mais, com a preocupação de que, em algum momento, nós vamos criar as condições para recuperar definitivamente o poder aquisitivo do salário mínimo. E nós vamos fazer isso com a maior responsabilidade do mundo, porque nós não podemos aumentar a dívida que a Previdência já tem com os seus aposentados e o rombo que ela tem no seu caixa. É humanamente impossível imaginar que poderia ser diferente.Ao mesmo tempo, é importante lembrar que este ano nós herdamos um esqueleto, do governo passado, de 12 bilhões e 400 milhões de reais, que não estavam no Orçamento, e que nós vamos ter que pagar, porque a Justiça determinou. Portanto, nós vamos ter que arrumar 12 bilhões e 400 milhões de reais para pagar aos aposentados que entraram com um processo reivindicando o prejuízo que tiveram com a URV, em 1993. E vamos fazer um acordo com os aposentados para pagar parceladamente, porque não é fácil arrumar 12 bilhões e 400 milhões.Além disso, ainda tivemos o cuidado de ter algum dinheiro para investimento, ou seja, nós precisamos ter um montante para investir em habitação e saneamento básico, para gerar parte dos empregos que nós precisamos, sobretudo, nas grandes regiões metropolitanas do nosso País. Cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, precisam de investimentos em saneamento básico e em habitação, para que a gente possa gerar uma parte dos empregos que a sociedade precisa. É por isso que nós não podemos dar o salário mínimo que eu, particularmente, gostaria de dar. E tenho certeza que o ministro Palocci e o José Dirceu gostariam de dar um aumento que pudesse chegar a 300 reais. Agora, fazer isso sabendo que não tem dinheiro, seria total irresponsabilidade nossa. Nós temos consciência de que o salário mínimo é pequeno, sabemos que é preciso que o povo tenha um pouco mais. E nós tentamos resolver isso aumentando o salário família. Por quê? Porque nós queremos privilegiar a pessoa em função das suas necessidades, afinal de contas, aqueles que têm filhos menores de 18 anos de idade, aqueles que precisam de mais ajuda, são os que precisam ganhar um pouquinho mais. Mas o trabalhador pode ficar preparado que nós vamos trabalhar o ano inteiro, o mandato inteiro, na perspectiva de arrumar condições de fazer com que o salário mínimo possa ser, efetivamente, muito melhor do que já foi em qualquer momento da História do Brasil, e muito melhor do que ele é agora.Agora, só podemos gastar aquilo que temos. E não podemos gastar mais para endividar uma Previdência que só vai ser recuperada ao longo do tempo, depois da reforma que nós fizemos.Luís Fara Monteiro: Obrigado Presidente, e até o nosso próximo programa.Lula: Obrigado a você, Luís, e até daqui a quinze dias, no próximo programa. Um grande abraço a todos os ouvintes. Luís Fara Monteiro: Esta foi mais uma edição do "Café com o Presidente". Até o próximo encontro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.