Vedoin volta a comprometer Abel na máfia das ambulâncias

A Polícia Federal ouviu nesta segunda-feira o depoimento do dono da Planam, Luiz Antônio Vedoin, um dos acusados de chefiar o esquema de superfaturamento de ambulâncias, no inquérito que apura a influência do empreiteiro Abel Pereira no Ministério da Saúde. Abel teria ligações com o então ministro Barjas Negri - que assumiu a pasta no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - e receberia propina para facilitar a liberação de recursos para a Planam, empresa de Vedoin. Segundo a PF, o empresário confirmou o que já havia dito em depoimento à Justiça Federal em Cuiabá. Ele acusou Abel Pereira de ter recebido 6,5% de propina para cada liberação de recursos do Ministério da Saúde para a Planam. Vedoin ainda reiterou que o pagamento da propina era feito em contas de empresas indicadas por Abel Pereira. Segundo Vedoin, ele teria pedido que os depósitos fossem feitos em contas correntes das empresas Kanguru Factoring Sociedade de Fomento Ltda, Datamicro Informática e Império Representações Turísticas Ltda, além da pessoa física Mário J. Martignago. Vedoin disse desconhecer as empresas, mas informou que Pereira teria ligação com as duas primeiras. A PF aguarda os contratos sociais das empresas suspeitas e os dados das quebras dos sigilos bancário e fiscal de Pereira. "Esses cheques (emitidos pela empresa Klass) nunca foram sacados", contestou um dos advogados do empreiteiro, Newman Pereira Lopes. A Klass era uma das empresas comandadas pelos Vedoin. O delegado Diógenes Curado Filho deve ouvir o pai de Luiz Antonio, Darci Vedoin, na próxima semana. Curado vai solicitar ao Ministério da Saúde a agenda usada por Barjas Negri em 2002 e uma relação dos empenhos (compromissos com gastos) liberados para a compra de ambulâncias. Diógenes pediu para a Junta Comercial em Cuiabá dados dessas empresas para saber sobre uma possível ligação entre elas e Abel Pereira. Em depoimento à PF e à CPI dos Sanguessugas, Abel Pereira negou ter influência no ministério. Dossiê No depoimento, Vedoin isentou o candidato derrotado ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), de envolvimento com o esquema dos sanguessugas, operado a partir de emendas parlamentares ao Orçamento da União destinadas à venda de unidades móveis e equipamentos hospitalares a preço superfaturado. Abel Pereira sustenta que teria recebido a oferta de um dossiê anti-Mercadante, em agosto deste ano. A versão é derrubada pelos Vedoin, pois Pereira os teria contatado para cobrar dívida de propina. Para a defesa de Pereira, os Vedoin pretendiam valorizar o suposto dossiê anti-PT e extorquir dinheiro do empreiteiro piracicabano. Já Luiz Antonio negou a existência de um dossiê contra políticos do PSDB e disse que Pereira nunca lhe ofereceu dinheiro em troca de material. Colaborou Catarine Piccioni Este texto foi alterado às 19h20 para acréscimo de informação

Agencia Estado,

11 Dezembro 2006 | 15h16

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