Vazamento de gás é causa mais provável do acidente na P-36

A hipótese de as três explosões na plataforma P-36 terem sido no tanque de resíduos instalado na coluna atingida da plataforma foi praticamente afastada hoje, com o depoimento de técnicos que estavam a bordo no momento do acidente. Esta era apontada entre as mais prováveis causas do acidente, dia 15, que deixou dez mortos e um ferido grave. A P-36 afundou totalmente ontem, na Bacia de Campos, RJ. Segundo testemunhas, o tanque deveria estar vazio na hora das explosões, pois a bomba que transportava resíduos para o compartimento estava em manutenção, longe do local.Com isso ganha força a hipótese de as explosões, seguidas de incêndio, terem sido motivadas por vazamento de gás nas tubulações. Os técnicos da Petrobras contaram que sensores acusaram a presença de gás na coluna depois da primeira explosão por volta da 00h20. Eles disseram não ser anormal o vazamento de gás em determinados pontos da plataforma. "Se havia sensores naquele local, é porque, no projeto, já se previa a possibilidade de vazar gás. É como estar andando de carro e um pneu furar", disse o operador da sala de controle da P-36, Carlos Alberto Sampaio. Sebastião Filho, outro técnico que trabalhava na plataforma, também acredita que o tanque coletor de resíduos de óleo estivesse vazio. "A bomba que leva o líquido para este tanque estava em manutenção em Macaé." ComissãoO gerente-geral da Petrobras na Bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot, não quis fazer comentários sobre as declarações dos funcionários. "Tudo isso será analisado pela comissão de investigação", disse Bellot. O gerente informou que a comissão de sindicância se reuniu hoje com o diretor de exploração e produção da Petrobras, José Coutinho Barbosa. "O diretor deu prazo de trinta dias para que os resultados da apuração sejam divulgados", afirmou.InquéritoO delegado de Macaé, Antônio Carlos Carvalho, disse que na próxima terça-feira ouvirá Carlos Eduardo Bellot, o primeiro no inquérito policial que apura o acidente na P-36. "Se ficar provado que foi um acidente e que não havia meios técnicos de evitá-lo, é possível que ninguém seja indiciado", disse o delegado.Como foiO supervisor de facilidades da P-36, Luiz Mário Linhares, descreveu hoje o momento do acidente. "Inicialmente, sentimos um impacto como se uma carga muito pesada tivesse sido colocada bruscamente na plataforma. Na segunda explosão é que o alarme tocou", contou. Linhares disse que saiu da P-36 junto com o último grupo que deixou o local. "Depois da explosão, tivemos um apagão, mas, menos de um minuto depois, o gerador de emergência começou a funcionar fornecendo energia para a plataforma.Eu desliguei todos os geradores e fechei os registros poucos minutos antes de sair."Sebastião Filho, Carlos Alberto Sampaio e Luiz Mário Linhares contaram que, desde o início, tiveram a sensação que a plataforma não poderia ser salva. "Quando estava no barco no outro dia e vi como a plataforma estava inclinada, tive a impressão de que seria impossível aquela estrutura subir novamente", disse Linhares.Sebastião Filho disse ter ficado muito triste quando a P-36 afundou. "Nós acompanhávamos o projeto desde o Canadá. Foi como ver nossa segunda casa afundando." Todos garantem, no entanto, que pretendem voltar ao trabalho nas plataformas. "Por mim, voltaria agora. Sou funcionário da Petrobras e só me interessa trabalhar embarcado", declarou Linhares.

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