Varig admite substituir Boeing por Airbus

A Varig deverá renovar sua frota aérea iniciando uma nova etapa na estratégia de recuperação, disposta a negociar a aquisição de diversas versões de aviões do grupo Airbus e não restringindo mais suas aquisições à Boeing americana. Depois da incorporação da McDonnel- Douglas pela Boeing, a companhia americana representa 100% da frota da Varig, de 79 aparelhos, afirmou o presidente da Varig, Ozires Silva à AE, após ter sido recebido em Toulouse, sede da Airbus, pelo presidente do consórcio europeu, Noel Forgeard. De acordo com Ozires Silva, a partir de agora a Varig é obrigada a buscar as melhores opções para a empresa e a Airbus não pode ser omitida por nenhuma empresa aérea do mundo. Segundo ele, hoje em dia, quem pensar em transporte aéreo tem que falar com a Airbus, que lançou recentemente o projeto de construção do A380, "um avião de tecnologia aeronáutica fascinante", nas palavras de Silva. O presidente da Varig tem pressa e dá um prazo curto, de apenas dois anos, para recuperar inteiramente a empresa que dirige. Por isso, na reunião do Comitê Estratégico, marcada para 12 de fevereiro, o problema será debatido e se tudo correr bem será aprovada essa nova orientação. A partir daí começa a chamada "operação pente fino" para definir quantos aparelhos precisam ser comprados e em quais versões. Ozires Silva está convencido que a Airbus é hoje a empresa que oferece o maior leque de alternativas, superior ao da Boeing. Muito rapidamente, a companhia aérea deverá efetuar um levantamento de mais de 700 rotas para tomar as decisões. Os aviões da Airbus poderão, por exemplo, substituir os 15 aparelhos da McDonnel Douglas, do tipo MD11. Mas a ambição em termos de investimentos em aviões da Airbus parece ir mais além. Gol no vermelho - O presidente da Varig não escondeu sua preocupação com uma nova ameaça de guerra tarifária provocada pelos preços praticados pela nova concorrente, a Gol. Ele advertiu que a guerra anterior, em 1998, deixou cicatrizes e muitas feridas. Segundo ele, no médio prazo será muito difícil praticar essas tarifas predatórias e "certamente essa empresa está operando no vermelho". Dessa forma, dificilmente poderá agüentar muito tempo com essa política tarifária. De acordo com Ozires, a Gol opera com uma tarifa de US$ 35 dólares entre Rio e São Paulo, enquanto as demais operam com uma tarifária da ordem de US$ 100. Para ilustrar o quanto essa situação é irreal, Ozires compara as tarifas com a praticada no trajeto Washington-Nova York, de US$ 79. Isso não quer dizer que a Varig não esteja observando a concorrência, como a redução de 50% feita pela TAM nos bilhetes vendidos com 21 dias. O desejo de negociar a compra de aparelhos Airbus não impede novas aquisições junto a Boeing, explica Ozires Silva. Ele lembra que não existe nenhuma cláusula restritiva nas suas relações comerciais com a Boeing que impeça a Varig de optar pela Airbus. A direção da companhia aérea pensa também pensa na Airbus para atender suas necessidades no mercado doméstico. "A recuperação de alguns segmentos do mercado doméstico faz parte de nossa estratégia e para isso necessitamos de novos aviões." O presidente da Varig justificou a decisão de diversificar a frota de aviões lembrando que as principais empresas áreas internacionais mantêm equipamentos da Boeing e da Airbus. Como é o caso da United Airlines, Lufthansa e Singapura Airlines, parceiras da Varig na Star Alliance.

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