Vaquinha do mensalão rende mais que doações pessoais

Campanha presidencial recebe R$ 565 mil de pessoas físicas, enquanto auxílio para pagar multas obteve R$ 2,7 milhões

O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2014 | 02h02

Apesar de todo o esforço do PT em defesa de uma reforma política que inclua o fim das doações de empresas a candidatos, a campanha da presidente Dilma Rousseff arrecadou apenas R$ 565 mil em contribuições de pessoas físicas, de um total de R$ 350 milhões. O valor é cinco vezes menor que os R$ 2,7 milhões amealhados nas vaquinhas feitas pelo partido para ajudar no pagamento das multas impostas aos petistas condenados no processo do mensalão.

O sistema para doações eleitorais de pessoas físicas esteve disponível durante todos os mais de quatro meses da campanha presidencial. Já as vaquinhas para pagar as multas fixadas pelo Supremo Tribunal Federal duraram poucas semanas. Segundo dados divulgados na época, o ex-presidente do partido José Genoino arrecadou R$ 760 mil, enquanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares conseguiram R$ 1 milhão cada. O último chegou a doar mais de R$ 300 mil para o ex-deputado João Paulo Cunha, também condenado no processo do mensalão, pagar a sua multa.

"Não existe relação entre as duas coisas. Nosso sistema político infelizmente despersonaliza as doações. Se tivéssemos feito uma campanha de arrecadação de pessoas físicas, os valores seriam outros", disse o coordenador do setorial jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho, que organizou as vaquinhas para os condenados do mensalão no início do ano.

Campanha. Em 2010, o PT chegou a fazer uma campanha específica para incentivar as doações de pessoas físicas batizada de "Cofrinho da Dilma". O resultado também foi decepcionante. Apesar de toda a divulgação e esforço - que incluíam a montagem de barracas de doações nos comícios da candidata e inserções comerciais na TV - foram apenas R$ 4 milhões dos R$ 282 milhões (em valores atuais) arrecadados pelo comitê petista em 2010.

Na época, o então tesoureiro da campanha e atual secretário municipal de Saúde de São Paulo, José de Filippi Jr., atribuiu o fracasso à falta de cultura de financiamento de campanhas no Brasil por pessoas físicas.

Desde o escândalo do mensalão, o PT aponta o sistema de financiamento de campanhas eleitorais como origem dos sucessivos escândalos de corrupção que assolam o partido. A saída, segundo o PT, é uma reforma política que proíba as doações de empresas. A maioria dos petistas defende o financiamento eleitoral exclusivamente público, mas setores do partido admitem a liberação de doações de pessoas físicas.

O assunto está sob análise no Supremo, em ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil. Seis dos 11 ministros já votaram a favor da proibição de contribuições de empresas, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vistas dos autos, o que paralisou o processo. / R.G.

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