Vannuchi volta a pressionar Lula pela participação de familiares nas buscas

O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, fez uma nova cobrança ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a expedição de busca dos restos mortais dos guerrilheiros no Araguaia tenha uma "comissão de supervisão", formada por representantes da sociedade civil e, principalmente, familiares dos mortos. Após participar, na noite de anteontem, em Belo Horizonte, do lançamento do livro Brasil Direitos Humanos - 2008: A realidade do País aos 60 anos da Declaração Universal, Vannuchi contou que teve um novo encontro com Lula na quinta-feira pela manhã e reforçou o apelo para que familiares tenham participação de "alto nível" nas operações de busca. "É a única garantia de que a transparência, de que o claro empenho foi comprovado", observou. "Nas reuniões de familiares da comissão especial (sobre Mortos e Desaparecidos Políticos) é muito recorrente a ideia de prato feito. Então, se trata só de não ter um prato feito." Vannuchi questiona a comissão gestada no Ministério da Defesa, que ficou com o comando da expedição. Conforme o ministro dos Direitos Humanos, a proposta feita aos familiares para que eles fossem incorporados como "observadores apenas" foi rejeitada. "O que eu coloco é que não se pode perder a chance de fazer isso do jeito certo", disse ele, sem deixar de salientar a importância da participação dos militares pela logística, equipamentos e conhecimento da área. "Agora, é indispensável que haja a presença dos familiares das vítimas, sobretudo através da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos." O ministro contestou a informação sobre o desfecho de uma reunião entre ele, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e Lula para discutir o assunto na segunda-feira à noite. Ele afirmou que não tinha a confirmação de que os trabalhos da comissão se iniciarão na quarta-feira. "Esse diálogo permanece e o presidente determinará uma solução. A minha convicção é de que será uma posição positiva, de entendimento", disse. "Sou assessor especial do presidente há 30 anos. Não estou lá representando nenhum partido político nem movimento social."Para Vannuchi, uma solução factível teria Jobim como "a figura destacada" da operação de buscas. "Não se trata de nenhuma disputa menor", ponderou.

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