DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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‘Vamos tratar do que é sério’, afirma Maia após declaração sobre suposta fraude nas eleições

Presidente da Câmara evita comentar declaração de Bolsonaro e diz que Congresso aguarda encaminhamento das reformas tributária e administrativa

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 17h16

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evitou comentar a declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre a suposta fraude nas eleições de 2018 e disse, nesta terça-feira,10, que a questão já foi respondida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Vamos no que interessa? Temos 52 milhões de brasileiros vivendo com US$ 5 por dia. Vamos tratar do que é sério e urgente para o brasileiro”, disse. 

Na segunda-feira, em Miami, o presidente da República disse que tinha “provas” de que teria vencido a eleição no primeiro turno. Segundo ele, houve “fraude” no pleito – Bolsonaro venceu as eleições no segundo turno, quando obteve 55,13% dos votos. No primeiro turno, conseguiu 46,03% dos votos válidos, o que não foi suficiente para liquidar a disputa imediatamente.

Nesta terça-feira, o TSE divulgou uma nota em que rebate as declarações do presidente e reafirma a “absoluta confiabilidade e segurança” do sistema eletrônico de votação. A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, disse que a Justiça Eleitoral “não compactua com fraudes”.

Maia também preferiu não responder a sugestão do presidente Bolsonaro, que disse que as manifestações do próximo domingo podem perder força se o Congresso desistir de controlar uma fatia expressiva do Orçamento da União. 

“O parlamento aguarda o encaminhamento das duas reformas (tributária e administrativa) ainda essa semana porque vai ser uma sinalização forte para a sociedade da importância que as reformas têm”, disse ao ser questionado sobre a fala de Bolsonaro.

Sobre a relação entre os Poderes e o momento para a realização de reformas estruturantes, Maia disse não querer entrar em conflito. “Se nós entrarmos nesse conflito, nós vamos estar jogando, vamos estar ajudando o governo a jogar o Brasil numa recessão e nós não podemos ser parte disso. É por isso que a gente tem que ter a mesma paciência, o mesmo equilíbrio que o parlamento teve no ano passado, quando todo mundo achou que, em determinado momento não se votava mais nada aqui, aprovamos uma reforma da previdência histórica”, afirmou. 

“Nós não podemos jogar lenha nessa fogueira. Lenha nessa fogueira vai colocar mais brasileiros na pobreza, vai tirar mais crianças das escolas e vai gerar mais brasileiros trabalhando com subemprego, sem carteira assinada, sem proteção social. É isso que tem que ser o nosso objetivo”, disse.

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