Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘Vamos reunificar o País’, afirma Marta a Temer

Em ato de filiação ao PMDB, senadora afaga novos correligionários e Cunha diz que sigla deve seguir exemplo de ex-petista

Pedro Venceslau e Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2015 | 03h00

Ao lado do vice-presidente Michel Temer, do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), a senadora Marta Suplicy assinou neste sábado, 26, a ficha de filiação ao PMDB em um ato político que lotou o Tuca, teatro da PUC-SP. A ex-petista, que em abril deixou o partido no qual estava havia 33 anos, fez elogios aos novos correligionários e afirmou que Temer vai “reunificar o País”.

“Conte comigo para reunificar os sonhos, o País. Vamos todos unir o País”, discursou Marta, na manhã deste sábado. A senadora deixou o PT com fortes críticas ao partido e à presidente Dilma Rousseff, de quem foi ministra da Cultura. Depois da desfiliação, Marta chegou a acertar o ingresso no PSB - o partido até marcou data para a frustrada filiação.

A entrada da senadora no PMDB foi articulada por Temer. Postulante a vaga de candidata à Prefeitura de São Paulo em 2016, Marta reuniu os principais quadros peemedebistas no evento e recebeu garantias de que será a escolhida para a disputa. “O PMDB é partido aberto. Abrimos as portas para todos que querem colaborar com o País. O PMDB vai fazer muito pela Marta, mas você vai fazer mais pelo partido”, disse Temer.

Por sua vez, a ex-petista reiterou o que havia dito em entrevista publicada neste sábado pelo Estado e defendeu candidatura própria do PMDB à Presidência em 2018 e o rompimento com o governo. Obteve adesão de Cunha, que Marta classificou de “líder focado e determinado”.

“Que o PMDB siga seu exemplo: vamos largar o PT”, disse o presidente da Câmara. “O PMDB tem que ter candidato à Presidência. Não podemos mais ir a reboque. Chega de usar o PMDB apenas como parte do processo.” Os militantes responderam com o refrão: “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, Marta em São Paulo e Michel no Brasil”.

Em sua fala, o ex-ministro da Aviação e aliado de Temer, Moreira Franco, disse que de São Paulo “haverá de sair uma voz que vai percorrer o Brasil”. “O PMDB reunificado reunificará o Brasil.”

‘Gigante’. Marta guardou afagos para mais peemedebistas, incluindo o secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, e o ex-senador José Sarney, que não estava presente. “Sarney deu ao Brasil a Constituição Cidadã, o direito ao consumidor e tantas outras conquistas. As pessoas esquecem. Sarney é um gigante na política”, disse.

Para Chalita, que preside o PMDB paulistano e é aliado do prefeito Fernando Haddad, desafeto de Marta, a senadora afirmou que o ex-tucano é um missionário e um símbolo da educação. “Chalita, a vida pública é cheia de armadilhas, mas Deus escreve certo por linhas tortas. Juntos, vamos fazer o PMDB cada vez mais forte.”

O secretário de Haddad disse aos jornalistas que a decisão sobre a eventual candidatura do PMDB na capital paulista em 2016 será tomada em convenção no ano que vem. Segundo Chalita, os convencionais decidirão se a sigla deve permanecer ao lado do prefeito ou se deve lançar candidatura própria. Caso se decida pela segunda opção, a perspectiva é, segundo Chalita, que “4 ou 5 nomes” entrem na disputa pela vaga.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que integra o núcleo de articulação política do Palácio do Planalto, também esteve presente no ato. “Marta é uma amiga de muito tempo”, desconversou.

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