Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Vamos mudar de assunto', diz Moreira Franco sobre permanência de Geddel em ministério

Um dia depois de admitir risco de demissão do colega, secretário-executivo do governo afirmou que 'decisão de presidente da República se respeita'

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2016 | 11h56

PARIS - O secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), Moreira Franco, recusou-se a comentar nesta terça-feira, 22, a permanência do ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, acusado de tráfico de influência e corrupção. Em Paris, Moreira Franco pediu para "mudar de assunto" e afirmou que o presidente Michel Temer tomou uma decisão que "precisa ser respeitada". 

O secretário-executivo está em Paris para o segundo dia da agenda internacional de três representantes do governo de Temer - os demais são os ministros Maurício Quintella, dos Transportes, Marcos Pereira, de Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Pela manhã, Pereira se encontrou-se com o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, mas não falou com os jornalistas. Já Moreira Franco participou de evento na embaixada do Brasil na capital francesa ao lado de empresários e investidores potenciais. 

Na saída da conferência, o secretário-executivo voltou a ser questionado sobre a manutenção de Geddel no governo, mas, dessa vez, foi evasivo. "Vamos mudar de assunto. O assunto já está resolvido", afirmou, demonstrando impaciência e lembrando que o presidente já decidiu manter seu assessor no cargo. Diante da insistência dos jornalistas, ele argumentou que não se pronunciaria, nem do ponto de vista pessoal. "Não cabe nenhuma manifestação de natureza pessoal. Foi uma decisão tomada pelo presidente, que entendeu corretamente que esse é o caminho que tem de seguir", disse. "Decisão de presidente da República se respeita."

Geddel está no centro da última crise envolvendo membros do governo Temer após ser acusado, pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de pressionar a derrubada de um veto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) à construção de um condomínio residencial em uma área tombada de Salvador, na Bahia. O ministro é proprietário de um dos apartamentos que seriam construídos.

Na segunda-feira, 21, também em Paris, Moreira Franco chegou a afirmar que "o presidente está tratando dessa questão". "Ele está muito preocupado", disse na ocasião, afirmando que não afastava a posibilidade de o colega de governo ser demitido. As declarações provocaram atrito entre os dois ministros, ambos próximos ao presidente. Conforme a Coluna do Estadão informou nesta terça-feira, 22, Vieira Lima telefonou a Moreira Franco e cobrou explicações em uma conversa de tom áspero.

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