'Vamos ganhar', diz Renan sobre votação de sua cassação

Conselho de Ética vota parecer que pede sua cassação por quebra de decoro parlamentar

05 Setembro 2007 | 10h47

"Vamos ganhar. É ter calma". Foi o que disse nesta quarta-feira, 5, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ao chegar ao Congresso, minutos antes de ter início a reunião do Conselho de Ética que votará relatório que pede a cassação do senador.  A reunião do Conselho de Ética começou com atraso, às 10h40. Renan disse que vai acompanhar a sessão de seu gabinete, juntamente com assessores. O senador Wellington Salgado (PMSD-MG), que apresentou um voto em separado, absolvendo Renan, foi o primeiro a discursar. Para Salgado, Renan é vítima de denúncias não fundamentadas. Ele disse que apresentou voto em separado porque se recusou a sucumbir a patrulhamentos e pressões.  Veja também: Veja a cronologia do caso Renan  Em resposta a aliado de Renan, relatores defendem cassação Aliado de Renan, Salgado não vê indícios para cassaçãoEntenda como tramitará o processo contra Renan  Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Nova denúncia: Renan tem de explicar propinas   Está tudo acertado entre os líderes partidários para que o processo contra Renan seja votado hoje no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Tanto a oposição quanto os aliados do governo querem encerrar logo esta etapa para que, na quarta-feira da semana que vem, o senador seja julgado pelo plenário, em sessão e votação secretas.  O Conselho de Ética votará o relatório dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), que recomenda a perda do mandato do presidente do Senado. Se a tropa de choque de Renan mantiver o acordo de não obstruir os trabalhos do Conselho, é possível que a CCJ consiga também deliberar sobre a legalidade do processo. O presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), marcou para às 15 horas a sessão da comissão para discutir e votar a legalidade do processo.  No Conselho de Ética, a previsão era de repetir o placar de 10 a 5 em favor do relatório. Mas as pressões continuavam sobre os senadores dos partidos aliados. Os petistas eram o alvo principal. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) marcou uma conversa pessoal com Renan. Mas quando chegou à noite ao gabinete da presidência, Renan já tinha ido embora. Augusto Botelho (PT-AP), que votou com a oposição no Conselho de Ética, também foi assediado para mudar de posição.  Busca pelo fim Apesar do acordo para acelerar o desfecho do caso Renan, o clima político no Senado é de apreensão e indefinição. Os partidos da base aliada estão divididos e até senadores do PMDB avaliam que a crise só terá um fim se Renan tomar a iniciativa de deixar a presidência, antes ou depois do seu julgamento pelo plenário. O senador está isolado e politicamente enfraquecido.  Desde que se envolveu em denúncias há três meses, Renan não cedeu aos sucessivos apelos para deixar o cargo. Isso só contribuiu para aumentar seu desgaste e as pressões da opinião pública. Na terça-feira, 4, a oposição obstruiu as votações e, segundo o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), dificilmente o plenário vai deliberar antes de encerrar o processo contra o presidente da Casa. O primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), informou que, assim que receber o processo da CCJ, vai agilizar o encaminhamento ao plenário. Por isso mesmo, os aliados de Renan intensificaram as conversas em busca de apoio para evitar a cassação de seu mandato.  A intenção de aliados de Renan de recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o voto aberto foi definitivamente enterrada. O próprio presidente do Senado avisou que não compartilhará nenhum procedimento dessa natureza. Seu alvo agora é o plenário, onde espera que a maioria dos 80 senadores, pelo voto secreto, arquive a denúncia contra ele. Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais. Na terça, Renan fez mais um discurso para se defender, que não pareceu ser suficiente para mudar posições.  Além do processo que será apreciado hoje, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere a seu suposto lobby na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão. A outra, apresentada pelo DEM e pelo PSDB, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas.

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