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‘Vamos fazer boa aliança com quem não tiver candidato’, diz Alckmin

Pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB diz que respeita a decisão do DEM de lançar um nome próprio para disputa do Palácio do Planalto

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

07 Março 2018 | 16h19

WASHINGTON - Presidenciável do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira que respeita a decisão do DEM de lançar candidato ao Palácio do Planalto e disse que é legítima a aspiração da legenda de ter um nome próprio na disputa. Mas ele lembrou que os dois partidos se uniram no passado e sugeriu que o mesmo pode acontecer em 2018. “Para isso tem segundo turno. A eleição não é em um turno só”, declarou em Washington, durante evento do Brazil Institute do Wilson Center.

Perguntado se sua afirmação era um indício de que espera o apoio do DEM em um eventual segundo turno, Alckmin respondeu que seria “muita indelicadeza” dizer que o partido não ultrapassaria a primeira etapa de votação, em outubro. Segundo ele, é natural que grandes partidos, como o DEM e o PMDB, queiram ter candidatos próprios. “Nós precisamos de mais civilidade na política. Criar pontes. Nós vamos fazer uma boa aliança com quem não tiver candidato”, afirmou. Mas o governador observou que a disputa vai se afunilar antes da data da eleição.

 

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Alckmin ressaltou que o PSDB não é o único partido que enfrenta desgaste no Brasil –que ele atribuiu não aos escândalos de corrupção, mas à grande fragmentação de legendas. “Os partidos todos estão fragilizados. Não é só o nosso.” Em sua opinião, os eleitores vão votar nos candidatos e não nas legendas.

Em um momento de descrédito na classe política, Alckmin terá o desafio de transformar sua visibilidade e experiência em um ativo. “Nós temos o que mostrar. Nós já fizemos. Essa é uma diferença importante. Entre o falar e o fazer, na política, há um abismo.”

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O governador lembrou que ganhou a última eleição em 644 dos 645 municípios de São Paulo, no momento em que o país estava mergulhado na pior recessão de sua história. E insistiu que vê sua chegada no segundo turno como possível, contra o PT ou outro partido. “Nós temos condição de estar lá, levando uma mensagem de esperança. Política é esperança. Não é coruja que só pia agouro nem Cassandra do Apocalipse.”

Com uma retórica afinada com a do governo Michel Temer, Alckmin disse que o Brasil vive um “novo momento” depois de três anos de recessão. “Crescemos 1% no ano passado e podemos crescer 3,5% neste ano.”

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Na última pesquisa CNT/MDA, divulgada na terça-feira, o governador aparece em terceiro lugar, com 6,4% das intenções de voto, no cenário que não inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com Lula, ele cai para a quarta posição, com 6,4%.

Os apoios estaduais serão fundamentais na disputa presidencial, disse Alckmin. Segundo ele, o PSDB terá “bons palanques” nos 26 Estados e no Distrito Federal. “Não é só eleição para presidente da República. É para governador, dois terços do Senado, Câmara Federal e Assembleias Estaduais. É uma aliança grande em um país continental como o Brasil.”

Em sua estimativa, o próximo presidente será eleito com 70 milhões de votos, o que lhe dará legitimidade para implementar sua agenda. A de Alckmin dá prioridade às reformas política, tributária e previdenciária, além de medidas para aumentar a competitividade do país. “Como essas reformas demandam mudanças constitucional, com três quintos dos votos, o primeiro ano de governo é sempre o ano mais propício para sua votação.”

A questão da segurança pública também terá destaque em seu discurso, com propostas centradas em dois pilares: fortalecimento das fronteiras para combate ao tráfico de drogas e armas e inclusão dos municípios no esforço de prevenção e combate à criminalidade. “O século 19 foi o século dos impérios, o século 20 foi o dos países e o século 21 será o das cidades. Elas terão um protagonismo cada vez maior e precisamos descentralizar recursos e responsabilidades.”

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