Vamos fazer a 'mais vigorosa oposição', afirma Aécio

Em evento com aliados, senador se declara como líder oposicionista e diz que a 'máscara' do atual governo caiu

NIVALDO SOUZA E RICARDO BRITO, Agência Estado

05 de novembro de 2014 | 14h13

Brasília - O candidato derrotado do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), declarou-se nesta quarta-feira, 5, como líder da "mais vigorosa oposição que o Brasil já assistiu". Em ato político entre tucanos e integrantes de partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff (PT), Aécio disse que os 51 milhões de votos dados a ele pelos eleitores brasileiros fortalecem a atuação da oposição no País. "Farei a oposição com as convicções com que eu governaria, com os mais pobres e que mais precisam. Não vamos permitir dividir o Brasil entre nós e eles", disse. Ainda segundo o tucano, a "máscara" do governo caiu.

O senador se disse respaldado pelos 51 milhões de votos que teve no segundo turno. "Aqueles que ganharam as eleições, que governam o Brasil, quando olharem para o Congresso não contabilizem a oposição pelo número de cadeiras da Câmara e do Senado", afirmou. "Em cada voz enxergue através dela 51 milhões de brasileiros atentos, acordados, vigilantes. Vamos fazer a mais vigorosa oposição que esse Brasil já teve em defesa dos brasileiros, da ética e da moral", discursou.

Aécio reforçou o embate contra o PT, apontado por ele como um partido que fez "o diabo" para ganhar as eleições, utilizando a máquina pública para vencer. "O diabo se envergonharia de muitas coisas que foram feitas nesta eleição", declarou. "Sempre que o PT teve de optar pelo PT, ele optou e o Brasil perdeu", disse, citando a oposição petista ao Plano Real e à Lei de Responsabilidade Fiscal.

O tucano disse que o governo está "envergonhado" pela forma como administrou a campanha eleitoral e por tomar medidas que acusou ele, Aécio, de tomar se fosse eleito, como o aumento da taxa básica de juros (Selic) e da gasolina. "Eles nos acusavam de ser os grandes patrocinadores do capital financeiro. O que aconteceu poucos dias depois da eleição foi a taxa de juros aumentar para combater uma inflação que para eles não existia", disse.

Aécio voltou a afirmar que, durante a campanha, foi atacado com "armas que não são decentes, não são honradas". "Fizeram da mentira sua principal arma de luta e isso não dignifica quem ganhou", disse, ressaltando que ele, Eduardo Campos e Marina Silva (ambos do PSB) passaram pelos "mais torpes ataques".

Urna eletrônica. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), candidato derrotado na disputa pelo governo da Paraíba, reforçou o discurso tucano de que o PT utilizou método de desconstrução de oponentes no campo estadual. "Não se pode aceitar o método que foi praticado e precisa ser combatido de forma eloquente e veemente para o Brasil", disse.

O senador subiu à tribuna do auditório da Câmara também para questionar a urna eletrônica usada na votação. "Precisamos colocar na pauta do Brasil, sim, o sistema da urna eletrônica, porque não pudemos estar submetidos a algo que não está sujeito à auditoria", disse. "A urna eletrônica passou a ser um dogma, agora temos nas nossas crenças a liberdade, a vida e a urna eletrônica", ironizou.

Apesar da crítica, Cunha Lima afirmou que não estava questionando o resultado das eleições. "Não se questionou sequer o resultado da eleição, porque o próprio Aécio telefonou para a presidente (Dilma) e a cumprimentou pelo resultado", observou.

Máscara. Em rápida entrevista coletiva após o ato, Aécio disse que a "máscara" do governo está caindo rapidamente. O tucano afirmou que não estava "surpreso" com medidas impopulares anunciadas pelo governo logo após o resultado das eleições. "Não estou muito surpreso, mas muitos brasileiros, sim, com a máscara caindo de forma tão rápida, apenas 10 dias após as eleições", afirmou.

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