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'Vamos descer a rampa com a presidente', diz ex-ministro sobre possibilidade de Dilma se afastada

A integrantes de movimentos sociais e de organizações não governamentais, Gilberto Carvalho adotou discurso do 'golpe e fez duras críticas ao PMDB

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2016 | 17h46

BRASÍLIA - O ex-ministro da Secretaria-Geral da presidente Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, fez duras críticas ao PMDB e afirmou que vai descer junto com Dilma a rampa do Palácio do Planalto no caso de o Senado decidir afastá-la temporariamente. “Estamos a uma semana de a presidente descer a rampa. E vamos descer a rampa com a presidente”, disse, em evento de balanço sociais do Ministério do Desenvolvimento Social, no Palácio do Planalto, que não conta com a presença de Dilma. “É um momento duro, não vamos nos enganar”, ponderou.

Para uma plateia formada por integrantes de movimentos sociais e integrantes de organizações não governamentais, Carvalho afirmou que o evento de hoje era uma homenagem para aqueles que “nunca arredaram o pé” e sempre deram apoio aos projetos sociais do governo e criticou os ex-aliados. “Ao contrário de outros que se fizeram de aliados do governo e pularam fora, essa gente aqui não é assim”, afirmou. “Bastou o primeiro momento de crise para mostrarem unhas, dentes e garras.”

O ex-ministro, que hoje é presidente do Conselho Nacional do Sesi, afirmou que esse “outro lado” não entrou agora “nesta história” e afirmou que desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder “eles não suportaram” os projetos sociais do partido. “Temos que ter clareza que outro lado não entrou nessa história agora, essa história vem desde janeiro de 2015”, afirmou. “Esse jogo estava sendo combinado”, completou. “Na verdade esse golpe é um sonho desde 2003, eles estiveram conosco quando interessava, quando lucraram, quando tiveram cargos.”

Carvalho afirmou que “a conspiração” dos oposicionistas é conhecida e que Dilma não será afastada por conta das suspeitas de corrupção. “Todo mundo sabe que nós estamos saindo por conta da escolha certa que nos fizemos do ponto de vista da luta de classes”, disse. “Dilma está tendo cassado o seu mandato e não pode ser acusada por um tostão.”

O ex-ministro citou ainda possíveis ministros do eventual governo do vice Michel Temer e afirmou que nenhum deles trará coisas boas para o País. “Precisamos lutar e defender a democracia e os direitos sociais porque, junto com o golpe, não nos iludamos, vem uma pauta regressiva nos direitos sociais. A curto prazo, não acredito, porque vão ter que fazer muita média, mas, daqui a pouco, começa. Ou alguém aqui imagina que um governo com Geddel Vieira Lima, Jucá e etc vai dar alguma coisa de bom para este País?”, referindo-se a Romero Jucá, cotado para o Planejamento, e Geddel Vieira Lima, apontado como futuro ministro da Secretaria de Governo de Temer.

Carvalho criticou também o modelo econômico que privilegia o mercado financeiro e disse que essa escolha também contraria interesses das elites. “Houve uma escolha de um projeto que tirou dinheiro que antes ficava apenas na especulação financeira para investir nas pessoas”, disse. “Por isso que essa indignação e consciência não nos podem deixar voltar para casa nesse momento.”

Apesar de no início de sua fala reconhecer que o processo contra a presidente já está praticamente definido, o ex-ministro disse no fim do seu discurso que “seja qual for o resultado do Senado seremos combatentes”. “Não passarão; Vamos continuar resistindo contra o golpe.”

Investigações. Carvalho é um dos citados nas investigações da Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobrás, e Zelotes, que apura suposto esquema de compra de medidas provisórias durante o governo Lula.

Em dezembro de 2015, prestou depoimento a PF no inquérito que investiga organização criminosa envolvendo parlamentares de diversos partidos supostamente beneficiados pelo esquema de propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. Na ocasião, o ex-ministro disse à Polícia Federal que ‘ se afastou de Dilma por razões múltiplas, basicamente por divergências a respeito da maneira de conduzir o Governo’.

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