'Vamos à luta', disse Dilma ao deixar café da manhã com Lula e Chico Buarque

Comitiva seguiu para o Senado, onde o cantor foi tietado por parlamentares

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2016 | 13h03

BRASÍLIA - Antes de chegar ao Senado para se defender no processo de impeachment, a presidente afastada Dilma Rousseff tomou café da manhã no Palácio da Alvorada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor Chico Buarque, ex-ministros, dirigentes do PT e de movimentos sociais. “Vamos à luta!”, exclamou ela. Lula lhe deu um longo abraço.

Pouco depois, já no vistoso Salão Azul do Senado, Dilma e sua comitiva foram recepcionados pelo presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). No gabinete da presidência do Senado, outro farto café os esperava, mas, desta vez, as maiores atenções estavam voltadas para Chico Buarque.

Foi uma tietagem explícita. Quase todos os políticos que por ali passaram pediram para tirar uma selfie com o autor de “Apesar de Você”. Dilma puxou uma conversa com o cantor sobre futebol. “Como se chama mesmo o seu time? Politeama?”, perguntou a presidente afastada. Chico assentiu, risonho.

Quem presenciou a cena disse que havia um clima de constrangimento entre Renan e os petistas. Na semana passada, o presidente do Senado teve uma áspera discussão no plenário com os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ) durante sessão de julgamento impeachment. Muitos interpretaram a briga como um sinal de que Renan votará contra Dilma no processo. Nos últimos dias, ele tem se aproximado cada vez mais do presidente em exercício, Michel Temer.

À saída da sala reservada, após o café, Lula pediu aos convidados que deixassem Dilma entrar no plenário antes, para que só então todos subissem até a galeria, a fim de acompanhar o pronunciamento. Senadoras e deputadas quiseram tirar uma foto com ela. Na confusão, quase quebraram um quadro instalado na presidência do Senado, com o desenho de um barco. “Quase que o barco vai a pique, como o governo”, divertiu-se um integrante da comitiva.

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante assistiu ao depoimento de Dilma sentado numa cadeira azul, no fundo do plenário, longe de Lula e dos outros companheiros. Na parte de cima, Lula ficou ao lado de Chico e do ex-presidente da OAB Marcelo Lavenère, coautor da denúncia contra o então presidente Fernando Collor (PTC-AL), hoje senador, que resultou no seu impeachment.

Quando começou o interrogatório de Dilma, Lula e Chico viraram as estrelas da galeria. Vários senadores subiram para abraçar a dupla e tirar fotos. 

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