''Valeu a pena'', diz ex-presa

Mulher, que emprestou sítio a estudantes, foi torturada3

O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2008 | 00h00

Para homenagear os estudantes presos durante o malogrado Congresso da UNE, 12 de outubro de 1968, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, inaugurou ontem, no Memorial da Resistência da Estação Pinacoteca do Estado, dois painéis: um com a lista dos 719 presos em Ibiúna, e outro com as fotos dos 23 estudantes mortos na época da ditadura. Um dos homenageados na lista é o ministro da Comunicação de Governo, Franklin Martins - que, depois do episódio de Ibiúna, se engajaria no movimento de luta armada contra o regime.Ao lembrar o evento, do qual não participou porque já respondia a um processo na Justiça Militar e temia uma nova prisão, o ministro Tarso Genro (Justiça) fez questão de homenagear a senhora que cedeu o sítio de Ibiúna aos estudantes para a realização do Congresso: Neusa Ferreira de Souza, hoje com 61 anos.Ela recordou que na época ainda estava pagando as prestações do imóvel: "Acabei perdendo tudo porque fui presa, fiquei afastada muito tempo, com os pagamentos atrasados." Também contou que sabia dos riscos que sua atitude envolvia, mas mesmo assim foi adiante: "Os canais de manifestação e de organização política estavam se fechando. Era preciso fazer alguma coisa. Não me arrependo de nada do que fiz. Fui torturada, sofri ao lado de meus dois filhos pequenos, duas crianças, mas valeu a pena. Me orgulho de ter lutado pela liberdade de nosso País."Hoje em São Paulo haverá um outro encontro, reunindo os participantes do congresso, quase todos na faixa dos 60 anos.

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