Valério nega relação com operação da PF que prendeu Dantas

Segundo a PF, as investigações de corrupção e lavagem de dinheiro são um desdobramento do mensalão

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

08 de julho de 2008 | 18h18

O publicitário Marcos Valério - um dos 40 acusados no processo do "mensalão" - manteve o silêncio nesta terça-feira, 8, e não comentou a Operação Satiagraha, que levou à prisão Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Segundo a PF, as investigações de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro são um desdobramento do mensalão. A assessoria de Valério informou que ele não falaria sobre a operação, alegando que "não tinha nada haver" com a investigação da PF.  Veja também:Para escapar da prisão, Dantas tentou suborno de US$ 1 milhão MP e PF pediram prisão de petista, mas juiz negouImagens da Operação Satiagraha Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta  PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso PittaDaniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu DantasEntenda as acusações contra Dantas e NahasAs ações da Polícia Federal no governo LulaOs 40 do mensalão A primeira ligação entre o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e o banqueiro Daniel Dantas foi feita em meados de 2005 pela ex-secretária da SMPB Comunicação, Fernanda Karina Ramos Somaggio, em depoimento à Polícia Federal, logo após vir à tona o escândalo do mensalão.  Em junho de 2005, a ex-secretária da SMPB - uma das principais testemunhas do mensalão - prestou um segundo depoimento espontâneo à PF. No relato ao delegado Hébio Dias Leite, ela disse que Valério "sempre conversava ao telefone" com o sócio e fundador do banco Opportunity.  Em um trecho do depoimento, Karina afirma que "o pessoal do Banco Opportunity por diversas vezes ligou para a SMPB Comunicação Ltda tentando agendar encontros com Marcos Valério, para que este intercedesse junto a políticos do PT para, de alguma forma, favorecer" o banco.  O Opportunity era um dos acionistas da holding que controlava as operadoras Telemig Celular e Amazônia Celular (vendidas no ano passado), cujas contas publicitárias estavam em poder das agências de Valério. No depoimento, Karina negou que Dantas ou "alguém ligado ao Opportunity" tenha intercedido junto a ela para que fizesse na época as denúncias públicas contra o ex-patrão.  O empresário e ex-sócio da SMPB e DNA é réu no processo penal do mensalão, no qual responde por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele foi apontado como o principal operador do escândalo de supostos repasses de dinheiro a parlamentares aliados do governo denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A assessoria de Valério disse que ele não iria comentar a declaração da ex-secretária em depoimento à PF. O empresário alegou anteriormente, em depoimentos, que mantinha apenas uma relação comercial com Dantas em razão das contas publicitárias.

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