Valenzuela deve manter aproximação EUA-Brasil

A escolha do chileno-americano Arturo Valenzuela para o principal cargo diplomático do governo de Barack Obama para América Latina deve trazer continuidade na política de aproximação dos Estados Unidos com o Brasil. Valenzuela foi indicado anteontem como secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental no lugar de Thomas Shannon, que vinha ocupando o posto desde o governo de George W. Bush. Para Michael Shifter, vice-presidente do centro de estudos Diálogo Interamericano, Valenzuela deverá dar ?uma grande continuidade? na política de Shannon de reconhecer a importância regional do Brasil - até porque Valenzuela foi o chefe de Shannon no Conselho de Segurança Nacional do governo Clinton. Shannon é bem-visto pelo governo brasileiro e tem bom trânsito entre republicanos e democratas.

AE, Agencia Estado

14 de maio de 2009 | 09h37

Mas, entre diplomatas brasileiros, há receio de que Valenzuela siga a chamada ?escola clintoniana?, que encarava o Brasil apenas como um grande país latino-americano, e não como potência global. ?Não sabemos se ele vai reconhecer o Brasil como foco de estabilidade na região, como o país que Washington deve procurar quando se trata de facilitar as conversas com Cuba e melhorar a relação com Venezuela e Bolívia?, diz uma fonte. ?Na era Clinton, quando Valenzuela atuou, o Brasil ainda estava tentando sair da crise e era visto apenas como mais um parceiro.?

A nomeação de Valenzuela não foi avaliada oficialmente pelo governo brasileiro, mas é vista com simpatia. Oficialmente, o Itamaraty informa que não se manifesta sobre nomeações feitas por outros países, mesmo que, como nesse caso, seja um tema relevante para o País. Thomas Shannon, que ocupava o cargo para o qual Valenzuela foi nomeado, pode vir a ser o novo embaixador americano no Brasil no lugar de Clifford Sobel. A provável nomeação, por enquanto, não passa de boato. No entanto, no Ministério das Relações Exteriores o tema já está sendo discutido, apesar de o governo brasileiro não ter recebido nenhuma informação oficial.

Ontem, no entanto, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que há boa expectativa sobre a atuação de Valenzuela e ?imagina? que ela seja boa para o Brasil ?porque, como acadêmico, tem conhecimento da região?. Segundo Garcia, ?tivemos excelentes relações com Shannon e certamente teremos com Valenzuela?. Garcia está otimista: ?O fato de Valenzuela ser filho de chilenos indica uma aproximação com a América do Sul, o que facilitará o entrosamento.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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