Valec lista falhas de comando ligado ao PR

Documento oficial da Valec, estatal responsável por obras ferroviárias, aponta que a empresa foi deixada por ex-dirigentes ligados ao PR com "estrutura, modelo de contratação e processo de medição de obras inadequados", conforme texto assinado pelos atuais gestores. Apesar disso, líderes do partido - primeiro alvo da "faxina" do início do governo Dilma Rousseff - querem retomar os cargos perdidos em troca de apoio à reeleição da presidente. Por ora, Dilma indica não aceitar a ideia.

AE, Agência Estado

08 de março de 2013 | 08h33

Os problemas de gestão na Valec foram alguns dos escândalos que levaram o partido a ficar sem postos de comando no governo. O ex-presidente José Francisco das Neves, o Juquinha, da cota do PR, chegou a ser preso por suspeitas de superfaturamento e corrupção em obra da estatal. Para tentar minimizar o desgaste, o partido prometeu ao governo indicar nomes "novos", sem histórico de escândalos.

Entre as principais obras da Valec consta a ferrovia Norte-Sul. O Estado revelou em setembro que o Tribunal Contas da União (TCU) detectou falhas graves na obra. Com base nessa informação, o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), pediu detalhes dos problemas à estatal e se surpreendeu com a sinceridade da atual gestão, nomeada após a faxina, ao listar a situação encontrada em outubro de 2011, ao ser empossada.

A resposta afirma que a Norte-Sul foi iniciada com um projeto básico repleto de falhas, sem a contratação de obras essenciais como pontes e viadutos, com um traçado que teria interferência em linhas de transmissão de alta tensão e que a Valec tinha estrutura, modelo de contratação e processo de medição de obras inadequados.

O texto é assinada por Paulo Roberto Schanuel, superintendente de Desenvolvimento, e Wagner Caldeira do Valle Moraes, superintendente de projetos, com o "de acordo" do diretor de Planejamento, Jair Campos Galvão. Entre os encaminhamentos da resposta está a assinatura do ministro Paulo Sérgio Passos. Filiado ao PR, mas sem vínculos com a cúpula da legenda, ele é considerado homem de confiança da presidente, tanto que lideranças do partido até aceitariam "apadrinhá-lo" novamente se os cargos em estatais e escalões inferiores forem devolvidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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