Leonardo Prado/Câmara dos Deputados
Leonardo Prado/Câmara dos Deputados

Valdemar Costa Neto defende Flávia Arruda: ‘Centrão não quer saída dela’

Presidente nacional do PL diz que ‘o pessoal fica muito valente’ quando Bolsonaro não está em Brasília

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2022 | 20h37

BRASÍLIA — Alvo de uma tentativa de "fritura" por parte de uma ala do Centrão, a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (PL), foi defendida nesta quarta-feira, 5, pelo presidente nacional do seu partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto. Em vídeo divulgado a filiados da sigla, Valdemar afirmou que "o pessoal fica muito valente" quando o presidente Jair Bolsonaro (PL) não está em Brasília, em referência à internação do presidente em hospital de São Paulo.

Flávia tem sido alvo de críticas de aliados do governo nos bastidores por supostamente não ter cumprido promessas de liberação de verbas a parlamentares do Centrão. Correligionária do presidente Jair Bolsonaro, ela é a responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

"O Centrão não quer a saída da Flávia, porque não vi nenhuma manifestação do Arthur Lira (presidente da Câmara), do Ciro Nogueira (ministro da Casa Civil), nossa. Pelo contrário, nós queremos que a Flávia continue, porque a Flávia fez o que pode fazer. Dinheiro vai faltar sempre", disse Valdemar, em vídeo divulgado pelo PL. "Não seria o momento de nós partirmos para uma discussão pública. Isso ficou de maneira deselegante colocado", afirmou. De acordo com Valdemar, a fritura de Flávia Arruda não vem da maioria do Centrão e defendeu resolver as insatisfações internamente. "Eu espero agora, com a volta do Bolsonaro, que o pessoal perca um pouco a valentia."

Bolsonaro e líder do governo também defendem Flávia Arruda

Em uma entrevista coletiva de imprensa hoje, após receber alta no Hospital Vila Nova Star, onde estava internado desde a segunda-feira, 3, Bolsonaro também saiu em defesa da ministra. "A indicação da Flávia Arruda foi minha", declarou o chefe do Executivo. "Ninguém ligou para mim. Ninguém pede cabeça de ministro como acontecia no passado", acrescentou. O presidente disse ainda que não a nomeou para o cargo por ser mulher, mas pela competência.

Bolsonaro também afirmou que "desconhece" o que Flávia teria feito de errado para que a demissão dela fosse pedida. "Se, porventura, [ela] estiver errando, como já aconteceu, acontece, eu chamo e converso com ela. Ela não será demitida jamais pela imprensa", criticou.

Ao Estadão/Broadcast, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), afastou a possibilidade de demissão da ministra. "Ela está firme e eventual problema de execução de recursos será atendido este ano", disse Barros. "As coisas se ajustam com o tempo", acrescentou o deputado, ao ser questionado se estava conversando com integrantes do Centrão para resolver as insatisfações.

Barros negou ainda que o governo possa antecipar a reforma ministerial esperada para março ou início de abril por causa da fritura de Flávia Arruda. O parlamentar, contudo, disse que a data exata da troca no comando dos ministérios ainda não está definida. Muitos ministros devem deixar seus cargos neste ano para concorrer nas eleições. A ministra da Secretaria de Governo, por exemplo, é cotada para disputar uma vaga no Senado.

Sob condição de anonimato, um líder partidário na Câmara confirmou ao Estadão/Broadcast que há "ruídos" nos bastidores a respeito da atuação de Flávia Arruda. Esse parlamentar ouviu de colegas que a ministra "não teria cumprido algumas promessas".

No começo de dezembro, a ministra foi alvo de xingamentos e palavrões proferidos ao telefone pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM). O parlamentar cobrava a liberação de uma emenda prometida pelo governo. Na ocasião, a Secretaria da Mulher, órgão representativo da bancada feminina na Câmara, manifestou repúdio às declarações de Braga, que lamentou o ocorrido e disse não ter tido intenção de ofender a ministra.

Flávia Arruda assumiu o comando da Secretaria de Governo em março do ano passado, quando Bolsonaro promoveu seis trocas na Esplanada dos Ministérios. A deputada, apoiada na época pelo Centrão, substituiu Luiz Eduardo Ramos, que foi para a chefia da Casa Civil. Hoje a Casa Civil é comandada pelo senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI).

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