Vaias para Kassab, coro contra imprensa e o vermelho de volta

Ex-prefeito é hostilizado e mídia é chamada de'fascista' no evento que teve produção luxuosa e destaque à cor do partido

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2014 | 02h01

Militantes petistas vaiaram o ex-prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, e gritaram slogans contra a imprensa durante a convenção que oficializou a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição.

As vaias a Kassab ocorreram cinco dias antes do encontro do PSD que vai definir o apoio do partido à reeleição de Dilma. Apesar da recepção hostil, Kassab reafirmou o desejo de integrar a aliança com a presidente. "A convenção é soberana, mas fizemos um amplo processo de consultas e tenho uma convicção muito grande na consolidação desse apoio", disse.

Durante o discurso do presidente do PT, Rui Falcão, militantes da juventude petista puxaram o coro "Mídia fascista e sensacionalista" e "O povo não é bobo. Fora Rede Globo!"

A convenção que sacramentou a candidatura de Dilma foi uma superprodução luxuosa, assinada pelo marqueteiro João Santana, e teve forte tom emocional. Os discursos mostraram que a campanha do PT terá um tom mais ideológico, com a defesa enfática da regulação da mídia e do fim dos monopólios nos meios de comunicação.

O cenário era composto por um telão de LED com mais de 30 metros de largura, no qual foram exibidas imagens alusivas ao PT e vídeos com depoimentos em defesa da reforma política e da Copa. Após a apresentação de crianças e jovens, que cantaram uma música exaltando os novos tempos, a mestre de cerimônias chamou ao palco governadores, dirigentes de partidos aliados e candidatos do PT aos governos estaduais. Eles foram apresentados como "construtores de futuro".

Dilma foi recebida com o xote Coração Valente, jingle que a define como "mulher de mãos limpas, mulher de mãos livres, mulher de mãos firmes".

O PT resgatou o vermelho, marca do partido, que em outras campanhas foi escondida. A cor da bandeira petista predominou nos painéis e na decoração do palco, com cadeiras do designer dinamarquês Verner Panton.

Do lado de fora do auditório um painel gigante mostrava a foto estilizada de Dilma, reproduzida de sua ficha de presa política na ditadura. Entre as centenas de militantes que tiravam fotos havia um grupo de ciganos. "Começamos a nos filiar ao PT depois que o governo do DF nos ajudou com um terreno onde podemos retomar nossas tradições", disse Daiane Rocha. / R.G. e V.R.

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