Vaias, protestos contra Dilma e dissidência marcam congresso do PMDB

Entre protestos contra Cunha e pedidos para que assuma a presidência da República, Temer adota discurso apaziguador sobre unificação e colaboração com governo

Vera Rosa e Adriano Ceolin, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2015 | 16h53

BRASÍLIA - Foi tudo combinado para dar uma estocada no governo num palanque onde se liam, em letras garrafais, os dizeres “O PMDB tem voz. E não tem dono”. Até mesmo os apelos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que pareceram surpreender os caciques do partido, estavam no roteiro do congresso.

Numa tentativa de mostrar força, a cúpula do PMDB fez questão de chegar unida ao hotel Nacional, o mais tradicional de Brasília, onde foi realizado o encontro. A ação também teve o objetivo de mostrar apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que enfrenta processo no Conselho de Ética da Casa, acusado de manter contas secretas na Suíça com dinheiro desviado da Petrobrás.

Vaiado por um pequeno grupo antes de iniciar o seu discurso, Cunha disse que “o PMDB não pode se calar” e tem proposta para sair da crise e do populismo. Ao pregar o rompimento do partido com Dilma, bradou: “Essa voz não pode ser abafada por meia dúzia de carguinhos.” Depois, ao defender candidatura própria na eleição de 2018, recorreu à imagem do futebol. “Time que não joga não tem torcida”, disse ele. Foi aplaudido.

Na plateia, o militante Eder Borges era um dos que levantavam cartazes com a inscrição “Temer, vista a faixa já”. Ao seu lado, integrantes de grupos que estão acampados diante do Congresso Nacional, pregando o impeachment de Dilma, erguiam bonecas infláveis com o rosto da presidente coberto por uma máscara de ladrão. Nas mãos, a Dilma de plástico levava a maleta “Cuba”.

“Estamos unidos pelo Brasil e contra o bolivarianismo”, disse Eder Borges, coordenador do Movimento Brasil Livre do Paraná.

Os microfones ficaram abertos durante todo o ato. Nenhum dos seis governadores do PMDB compareceu e a bancada do partido na Câmara, comandada por Leonardo Picciani (RJ), também se ausentou. Picciani foi um dos negociadores do aumento do tamanho do partido no primeiro escalão. Dos sete ministros do PMDB, três deles – Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) faltaram.

Cristã-nova no PMDB, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), ex-petista, foi a mais assediada durante o congresso. Posou para selfies, abraçou e beijou correligionários. “Eu, de coração, quero ser a candidata do PMDB à Prefeitura de São Paulo”, afirmou a senadora.

Bonecas. O grupo que organizou o protesto contra Dilma e ergueu bonecas com o rosto da petista, exibindo no peito uma faixa em que se liam as inscrições “mãe do petrolão” e “impeachment”, tinha 25 pessoas. A maioria nem era filiada ao PMDB, mas militava no Movimento Brasil Livre e na Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos.

Embora tenha marcado posição, o PMDB produziu um congresso morno, sem decisões. Quando o encontro foi programado, há três meses, a temperatura política estava mais quente.

De lá para cá, no entanto, o PMDB ganhou sete ministérios e viu Eduardo Cunha, um de seus principais líderes, ser alvejado por denúncias de corrupção na Petrobrás. “Mas nós estamos num partido que tem voz e não tem dono”, resumiu o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Wellington Moreira Franco. “E, a partir de agora, vamos chamar nossa plataforma de ‘Plano Temer’”.

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