Vaia a Lula perturba recepção a Michelle Bachelet

Uma sonora vaia dada por servidores públicos em greve ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a perturbar, hoje, a cerimônia de recepção da presidente do Chile, Michelle Bachelet, pelo presidente brasileiro, no Palácio do Planalto. Os servidores exigem o cumprimento de acordos firmados pelo governo com eles.O secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos, Ricardo Jacomé, que participou da coordenação da manifestação, disse que estava vaiando o presidente Lula e a política do governo em relação ao servidor, representado na figura do próprio Lula. Ele lembrou que nenhum dos acordos firmados com os servidores foi cumprido pelo governo.Entre as palavras de ordem gritadas pelos cerca de mil manifestantes, que portavam bandeiras e faixas na Praça dos Três Poderes, na frente do Palácio do Planalto, no momento em que Michelle e Lula passavam em revista às tropas formadas em homenagem à visitante, estavam: "O povo na rua, Lula a culpa é sua"; "Lula traidor, cadê o reajuste do servidor?"; "Lula, respeite o servidor" e "Lula, cadê o reajuste do servidor?"Segundo Jacomé, os servidores da Fazenda, da Agricultura, do Planejamento, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fundação Nacional do Índio (Funai) estão em greve exigindo plano de carreira e concessão de reajuste salarial e cumprimento dos acordos.AcordosOs governos do Brasil e do Chile assinaram três acordos nas áreas energética e de mineração, de cooperação técnica na área de meio ambiente e autorização de moradia entre cidadãos dos dois países. No discurso durante a cerimônia de assinatura de atos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a parceria que já existe entre os dois países e disse que a visita da presidente chilena, Michele Bachelet "sinaliza nossa determinação de explorar novas possibilidades de cooperação".Segundo o presidente, em 2005 o comércio bilateral ultrapassou US$ 5,2 bilhões anuais e segue crescendo. "Por outro lado, os homens de negócio chilenos confiam no Brasil e investiram mais de US$ 4 bilhões aqui".Lula falou ainda sobre as eleições no continente sul-americano, que estão sendo realizadas no Peru e ainda serão realizadas na Venezuela, Colômbia e Brasil. "Temos certeza de que as eleições deste ano, no continente, reafirmarão o empenho maior na redução da desigualdade e no crescimento com distribuição de renda e geração de empregos. Esse desafio aproxima Chile e Brasil onde ainda persistem fortes desigualdades sociais". Lula agradeceu ainda o apoio do Chile num voto de confiança para que o Brasil se torne membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.A presidente do Chile, Michele Bachelet comentou que era uma visita breve ao Brasil, mas que estava sendo muito calorosa. Ela agradeceu a "cândida" recepção, disse que Brasil e Chile têm uma aliança renovada e defendeu a necessidade de reforçar as relações bilaterais. Bachelet elogiou também a "grande iniciativa" do presidente brasileiro no combate à pobreza.Nota da Redação: Esta matéria foi alterada ás 15h50 para o acréscimo de informações

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