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‘Vai ter partido de direita para 2022’, diz Bolsonaro

Presidente diz que, se Aliança pelo Brasil não estiver formado até março, ele irá se filiar a novo partido

Breno Pires, Amanda Pupo e André Borges, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 19h56

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado, 19, que, se o Aliança pelo Brasil não “estiver formado” até março de 2021, ele deverá se filiar a um novo partido. “Pessoal da direita aí: vai ter partido de direita para 2022”, disse o presidente, em entrevista publicada no canal de um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), no YouTube.

“Está difícil, burocratizou-se muito a questão da formação de partido. Se eu tivesse feito lá atrás um partido, alguns anos atrás, sem problema nenhum. Agora decisão minha: março, se o Aliança não estiver formado em março, é possível formar sim, mas se não estiver formado, já estou namorando aí alguns partidos, vou fechar com um, para esse pessoal poder se preparar para 2022”, disse o presidente.

Como mostrou o Estadão em reportagem publicada em novembro, lançado para ser o partido de Jair Bolsonaro há pouco mais de um ano, o Aliança pelo Brasil ainda é uma incógnita e ninguém arrisca dizer se, de fato, o projeto sairá do papel para abrigar a candidatura à reeleição do presidente, em 2022.

Até novembro, o Aliança havia conseguido apenas 10% das assinaturas necessárias para impulsionar o projeto de Bolsonaro. O presidente deixou o PSL, legenda pela qual se elegeu, há um ano, após muitas disputas pelo controle da máquina partidária e de seus recursos.

Nesta semana, o presidente já havia dito que definirá “mais ou menos” em março seu novo partido e candidatura à reeleição. Ele disse que tem conversado com algumas legendas, entre elas o Progressistas e o PTB. Domingo passado, o Estadão mostrou que o presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson prepara seu partido para ser uma alternativa ao Aliança. Jefferson provocou um racha na sigla ao ‘bolsonarizar’ PTB.

Seja com o Aliança pelo Brasil, seja com um novo partido, Bolsonaro fez projeções para 2022 e disse esperar fazer 10 das 27 vagas para o Senado que estarão na disputa, e entre 70 a 80 deputados federais, dos 513 da Câmara dos Deputados. “Aí é um partido que vai começar a orgulhar o povo brasileiro com suas ações”, disse ele, falando que os interessados deverão passar por uma seleção.

Os comentários vieram instantes após Bolsonaro dizer que não era momento de falar sobre 2022. “Se eu estivesse pensando em eleição em 2022, teria sido ativo nas eleições municipais e não fui”, disse. Segundo o presidente, ele não fez mais do que “quatro lives de um total de três horas”, citando “alguns nomes de prefeito e vereador pelo Brasil”. “Uns foram eleitos, reeleitos, outros não. A imprensa falou que eu perdi: eu pergunto à imprensa quantos prefeitos eu tinha? Zero. Agora quem perdeu foi a esquerda que perdeu barbaramente o número de prefeituras do país”, disse. Dos 16 candidatos a prefeito apoiados pelo presidente, 12 perderam as disputas, entre eles Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio. Em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos), apoiado por Bolsonaro, nem sequer chegou ao segundo turno.

Voto impresso

Durante a entrevista, Bolsonaro voltou a defender a implantação do sistema do voto impresso para o pleito de 2022 e afirmou que após as eleições das mesas no Congresso, vai haver uma tentativa de aprovar a proposta de emenda à Constituição que prevê esse formato de votação. Envolvido com a escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado, que serão eleitos em 2021, o presidente lembrou que a colocação do assunto em pauta estará “de acordo” com a composição das mesas. O Planalto apoia o nome do líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL) para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Acabando as eleições da mesa – de acordo com sua composição, pessoas sempre apontam para o presidente, tem que votar em deputado que realmente de conta –, nós temos como aprovar essa PEC”, disse Bolsonaro, em entrevista gravada ao canal de vídeos do filho 03 e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “Agora, esse sistema eletrônico, eu não confio nele. E eu acredito que 70% ou mais da população também não acredita.”

Bolsonaro afirmou que não “dá pra aceitar mais a desconfiança no voto eletrônico no Brasil”. “A gente vai naquela máxima velha. Quem ganha a eleição não é quem vota, é quem conta o voto”, disse o presidente eleito no pleito de 2018. Bolsonaro chegou a colocar sua própria eleição em dúvida, dizendo que teria sido eleito no primeiro turno, não no segundo.

A prática de Bolsonaro de questionar a confiabilidade do sistema eleitoral é recorrente. Sem provas, o presidente já afirmou em diversas ocasiões que houve fraude na eleição de 2018, quando disputou o segundo turno com o petista Fernando Haddad e saiu vitorioso. Em viagem aos Estados Unidos, ele chegou a dizer que tinha provas de que tinha vencido no primeiro turno. Ele, no entanto, jamais apresentou a comprovação.

Guedes fica

Bolsonaro disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não demonstrou a ele se, em algum momento, esteve prestes a sair do governo, mas afirmou que o ministro fica “de vez em quando, irritado”, quando medidas que dependem do Parlamento não vão para frente.

“Não demonstrou para mim não (se alguma vez esteve prestes a sair do governo). Lógico que de vez em quando a gente vê que ele fica irritado porque certas medidas dependem de votações, eu sei como funciona o Parlamento e ele está aprendendo ainda. Então ele quer resolver e fica chateado”, disse Bolsonaro, em entrevista ao filho 03 e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em canal no YouTube.

Sobre uma eventual saída do governo, o presidente afirmou que Guedes deve desembarcar do cargo somente quando seu mandato presidencial acabar. “Então ele quer resolver e fica chateado, agora no tocante a sair, ele falou que vai sair comigo quando acabar meu mandato”, disse.

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