'Vai ser uma guerra', diz Serrano sobre CPI dos cartões

De um lado, oposição quer chamar braço-direito de Dilma; de outro, base quer explicação de Álvaro Dias

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

02 de abril de 2008 | 22h32

"Vai ser uma guerra." Com esta frase a presidente da CPI dos Cartões Corporativos, senadora Marisa Serrano (PSDB-mS), definiu o clima que deverá tomar conta da reunião da comissão de inquérito desta quinta. De um lado, a oposição que quer votar 34 requerimentos de convocação, incluindo o de Erenice Guerra, braço-direito da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e apontada como suposta coordenadora do dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De outro lado, a base aliada que decidiu esticar a corda e quer que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) explique como teve acesso às informações contidas na papelada.   Veja também: 'CPI vai acabar em pizza só para a oposição', diz analista  Os ministros caídos  CPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  Entenda a crise dos cartões corporativos    "Se eles querem que o senador Álvaro Dias se explique, então aí temos de trazer a ministra Dilma também", afirmou nesta quarta à noite a senadora. "Diante do novo quadro, temos que solicitar a presença do senador Alvaro Dias para se explicar na CPI. Afinal, ele ocultou o dossiê por mais de um mês", observou o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI dos Cartões Corporativos. "Estou analisando junto ao corpo jurídico do Congresso se cabe inclusive convocar o senador para depor na CPI", disse o deputado Sílvio Costa (PMN-PE), um dos integrantes da tropa de choque do governo na comissão de inquérito.   Mais cedo, antes de o senador Álvaro Dias admitir publicamente que conhecia o conteúdo do suposto dossiê com gastos de verbas públicos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua família, os partidos de oposição fizeram um almoço na casa de Marisa Serrano para traçar uma estratégia de atuação. Decidiram a votação de 34 requerimentos de convocação de autoridades governamentais. Era uma forma de expor os governistas que seriam obrigados a derrubar todos os pedidos feitos pela oposição.   "Os governista vão tem de assumir a responsabilidade de colocar toda a sujeira debaixo do tapete", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Com a derrota dos requerimentos, os partidos de oposição pretendiam investir em uma CPI integrada apenas por senadores. Em uma comissão só do Senado, o governo tem maioria apertada. Na CPI mista em andamento, a maioria do governo é acachapante e a oposição não consegue aprovar nenhuma de suas propostas.   Além de pôr os requerimentos em votação, a senadora também tentou obter os documentos com auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) com os gastos sigilosos com cartões corporativos e contas tipo B feitas pela presidência da República. Mas o presidente do Tribunal, Walton Rodrigues, informou que os documentos só poderão ser enviados com a aprovação da CPI.

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