Vaga para o Senado é dor de cabeça para partidos em SP

PT, PSDB, DEM e PMDB tentam composições na disputa por 2 cadeiras

Julia Duailibi, Clarissa Oliveira e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Coadjuvante nas eleições de 2010, a disputa por uma cadeira no Senado se tornou uma dor de cabeça para as principais lideranças partidárias em São Paulo. Além de terem de lidar com a definição do nome que irá pleitear o Palácio dos Bandeirantes, PT, PSDB, DEM e PMDB tentam acertar o xadrez das composições a fim de garantir o arranjo mais vantajoso possível do ponto de vista eleitoral.Em 2010, serão renovadas duas das três vagas a que os Estados têm direito. Entrarão no jogo as cadeiras ocupadas hoje por Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). PSDB, PMDB e DEM pretendem sair coligados em torno da candidatura tucana, seja ela a de Aloysio Nunes Ferreira ou a do ex-governador Geraldo Alckmin. Ocorre que as três legendas querem lançar candidatos ao Senado, mas só há duas vagas por coligação.O PMDB praticamente garantiu a sua, em troca do apoio do ex-governador paulista Orestes Quércia à reeleição de Gilberto Kassab (DEM) no ano passado. "Ficou decidido lá atrás: as vagas para o Senado ficarão com o PMDB e o PSDB", declarou Quércia, que é candidatíssimo ao posto. No DEM, o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, é um nome frequentemente citado como um dos que poderiam entrar na disputa. Afif tem a seu favor o desempenho de 2006, quando conseguiu mais de 8 milhões de votos e quase desbancou Eduardo Suplicy (PT) na eleição para o Senado. O partido, no entanto, diz que não está disputando a cadeira. "O DEM cedeu a sua vaga para o PMDB. Deveremos ter uma dobradinha PMDB-PSDB para o Senado", disse o ex-governador Cláudio Lembo, um dos líderes do DEM em São Paulo. De acordo com esse entendimento, o DEM poderia indicar o vice-governador na chapa tucana. Aí está o nó do problema. No PSDB, não há um consenso. Grande parte dos tucanos paulistas defende uma chapa puro-sangue, deixando para o DEM a segunda vaga para o Senado ao lado do PMDB. Outros dizem que não há "ungidos" e que o PSDB tem que ter candidato.Há outra parte do tucanato que quer deixar a vaga como reserva estratégica, caso haja a necessidade de convencer Alckmin a desistir da disputa para o governo estadual. Nesse caso, Aloysio seria lançado para o governo, com o DEM na vice - que poderia ser Afif. Alckmin, que resiste à ideia, entraria na vaga para o Senado. Essa acomodação de forças também encontra resistência. Quércia não vê com bons olhos a disputa com Alckmin nem Afif, que poderia lhe custar muitos votos. No ninho tucano, há ainda o nome do deputado José Aníbal, que pretende entrar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Caso seja necessária uma composição com o parlamentar, uma saída seria oferecer a ele a vaga no Senado.Apesar de ter em Mercadante um candidato natural ao Senado, o PT também corre o risco de encarar uma batalha. Outros nomes com peso no partido já são citados como possíveis ocupantes da segunda vaga. Setores do PT têm defendido que o deputado Antonio Palocci (SP) entre na disputa. Cotado para o governo paulista, ele aguarda o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda.Outra opção seria a ex-ministra Marta Suplicy. Com seus planos de concorrer ao governo praticamente enterrados pela derrota na eleição municipal, ela teria no Senado a oportunidade de exercer um mandato majoritário. Aliados reconhecem que Marta não teria dificuldades em se eleger para a Câmara, por exemplo, mas argumentam que ela não demonstra interesse em voltar a ser deputada. Marta, dizem os petistas, ainda não começou a se movimentar. Mas é certo que Palocci teria seu apoio para o governo estadual. Em retribuição, dizem martistas, é de se esperar um endosso do ex-ministro caso ela dispute uma vaga no Senado. Ainda assim, tanto aliados de Marta como de Palocci reconhecem que qualquer plano vai enfrentar forte resistência de Mercadante. E Marta, avaliam, não está disposta a bater de frente com o senador.

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