Vaga no 2º turno acirra ataques entre adversários

Russomanno acusa Marta de cooptar seus ex-funcionários; Haddad tenta se colocar como o ‘anti-Doria’ para atrair votos de peemedebista

Valmar Hupsel Filho Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 07h40

Em meio a uma acirrada disputa por uma vaga no segundo turno da disputa em São Paulo, candidatos subiram o tom dos ataques nesta reta final da corrida eleitoral. Ontem, o candidato Celso Russomanno (PRB) acusou sua adversária Marta Suplicy (PMDB) de pagar ex-funcionários do Bar do Alemão, do qual era sócio em Brasília, para denunciar irregularidades trabalhistas, como a não quitação de verbas indenizatórias e retenção de gorjeta. A peemedebista admite ter procurado os trabalhadores, mas nega que tenha oferecido qualquer benefício financeiro a eles.

Ao fazer a acusação, Russomanno disse que vai acionar a candidata do PMDB na Justiça Eleitoral. “A candidata Marta, através de sua assessoria, foi atrás dos funcionários do Bar do Alemão cooptando e oferecendo vantagens em dinheiro para que fizessem declarações a meu respeito”, disse ele ontem, após um café da manhã no Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp).

Questionada, Marta reconheceu que procurou ex-funcionários do candidato do PRB. “Como ele disse que era mentira lá no último debate, nós enviamos pessoas a Brasília para ver se achávamos algum garçom que tem processo contra ele. Achamos três”, disse. Ao contrário do que afirmou a peemedebista, os funcionários foram procurados por sua campanha antes do debate de domingo.

Ela negou, no entanto, que sua campanha tenha pago pelas informações. “Cooptar é pagar. Ninguém foi pago”, afirmou a candidata peemedebista.

Os depoimentos em que ex-funcionários acusam Russomanno de não pagá-los foram exibidos no programa de Marta no rádio e na TV.

Disputa. O pano de fundo da troca de acusações entre Russomanno e Marta é a disputa pela segunda vaga no segundo turno e a posição em que os dois se encontram nas pesquisas de intenção de votos a cinco dias da eleição. Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada anteontem, João Doria (PSDB) aparece à frente com 28% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Russomanno, que tem 24%, e Marta, que caiu cinco pontos, com 15%

Correndo por fora na disputa, o prefeito Fernando Haddad (PT) aparece com 12%, empatado com Marta. O comando da campanha do prefeito pretende usar os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto para alavancar a candidatura do petista nesta reta final da disputa eleitoral. O petista oscilou três pontos, segundo a pesquisa Ibope, no limite da margem de erro do levantamento.

A ideia é aproveitar a queda de Marta nas pesquisas para motivar a militância às vésperas do pleito. “Só nós vamos ter militância na rua até a noite der sábado”, disse o presidente municipal do PT-SP, Paulo Fiorilo.

Em ato com a presença de artistas e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de ontem, Haddad fez críticas a Doria ao citar sua intenção de acabar com o programa De Braços Abertos, voltado para usuários de crack no centro da cidade. O tucano também foi alvo de Lula.

Segundo integrantes da campanha, o foco do discurso era a militância petista. A estratégia é colocar o prefeito como o “anti-Doria” para incentivar a militância na semana final da campanha. Além disso, a campanha petista espera atrair o chamado “voto útil” de parte dos eleitores que pretendem votar em Marta, que continua sendo o alvo preferencial do PT no rádio e na TV.

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