''Vaga é da Dilma'' em 2010, diz Marta

Nos bastidores, porém, seu grupo diz ver potencial para Presidência

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 00h00

Empenhada em se desvencilhar da suspeita de que poderia usar a prefeitura como trampolim para 2010, a petista Marta Suplicy disse ontem que não sonha mais em chegar ao Palácio do Planalto e que não tentará se firmar como uma das alternativas para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A posição, disse a candidata, já foi preenchida. "A vaga é da Dilma", disse, numa referência à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O uso da prefeitura como trampolim foi um dos motes da campanha de Marta em 2004, quando a petista foi derrotada pelo hoje governador do Estado, José Serra (PSDB). Na época, ela baseou seu discurso na afirmação de que Serra deixaria a prefeitura nas mãos do então vice Gilberto Kassab (DEM) para disputar as eleições de 2006, na qual o tucano se tornou governador. Apesar do empenho de Marta em assegurar que ficará no cargo por oito anos, a tese de que ela poderia suceder ao presidente Lula ainda persiste dentro de seu grupo político. A idéia vinha perdendo força desde que o presidente começou a sinalizar a preferência por Dilma, mas foi retomada diante da força ostentada por Marta nas pesquisas de intenção de voto. Na última pesquisa Ibope, contratada pelo Estado e pela TV Globo, a petista atingiu 41%. Com isso, ela abriu 15 pontos de vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin (PSDB), derrotado em 2006 por Lula na corrida presidencial.Após uma caminhada em Pirituba, na zona norte da cidade, Marta disse que falar agora em disputar a Presidência seria o mesmo que "falar da Lua para alguém que está tentando conquistar a Terra". "Eu quero é ser prefeita, e por oito anos." Questionada se as discussões sobre 2010 atrapalham a campanha, ela disse que o assunto interessa mais à imprensa. "Tenho que me preocupar agora é com a eleição."Ontem, Marta tocou pela primeira vez no assunto da corrida presidencial de 2010 em entrevista ao portal de internet Uol. Provocada pelos entrevistadores, ela disse que quando era jovem considerava "muito interessante" a idéia de se tornar presidente. Depois disso, afirmou, passou a torcer para que uma mulher ocupasse o posto, mesmo que não ela própria. "Depois, dessonhei."Marta, entretanto, não descartou totalmente a idéia de sair do cargo. Questionada se não o faria em hipótese nenhuma, ela afirmou: "Não estou falando assim. Estou dizendo que esta não é a melhor idéia".AJUDAAo Uol, Marta também disse estar certa de que não será derrotada este ano, a exemplo do que ocorreu em 2004. Questionada sobre o que lhe dá essa garantia, ela devolveu: "O atual governo, tanto do Lula como o do Kassab. O do Lula vai muito bem e o do Kassab as pessoas comparam com o meu. Não tem segredo nenhum". Ela também ironizou a disputa no PSDB, por conta da corrida municipal. "Eu só vejo que eu estou numa boa, porque tenho meu presidente inteirinho comigo."Mais tarde, Marta visitou uma aldeia indígena nas proximidades do Pico do Jaraguá, na zona norte. Ela chorou diante das condições precárias e disse que muitas famílias indígenas não foram recadastradas no programa Renda Mínima, criado em sua gestão. Outras, disse ela, receberiam metade do valor do benefício, que é de R$ 220. Em nota, a campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM) negou e disse que a atual gestão visou "corrigir as distorções" da gestão anterior. C

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