Vaga de secretário-geral abre disputa no Itamaraty

Embaixador Pinheiro Guimarães entregará cargo em outubro, quando completa 70 anos, e deve comandar ministério deixado por Mangabeira

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

Figura polêmica do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães deixará o Itamaraty no fim de outubro, quando completa 70 anos, para ocupar uma vaga na Esplanada. Ele se desligará da Secretaria-Geral do Itamaraty, o posto mais elevado da carreira diplomática, e deverá assumir o lugar deixado pelo acadêmico Roberto Mangabeira Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE). A saída do embaixador do Itamaraty desencadeia uma nova dança das cadeiras e abre as apostas em torno de três candidatos para a sua vaga. O nome do escolhido, por enquanto, não saiu da boca do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que costuma manter suas indicações sob sigilo até o último momento e surpreender.Dentre os três candidatos, o veterano é o embaixador Ruy Nogueira, subsecretário-geral de Cooperação e Promoção Comercial, de 66 anos. Os outros dois candidatos conduziram a chefia de gabinete do chanceler de Lula e foram indicados para os dois principais postos da diplomacia no exterior - Antônio Patriota, embaixador em Washington, e Mauro Vieira, embaixador em Buenos Aires.Recentemente, em um almoço em São Paulo, Amorim deixou escapar que, para a sucessão de Guimarães, havia "muita gente jovem". Desde então, as apostas no Itamaraty se concentraram em Patriota, de 55 anos, e Vieira, de 58 anos. Também são fortes as indicações de que, se Patriota for o escolhido de Amorim, Vieira deverá assumir a Embaixada brasileira em Washington. Entretanto, Vieira havia pleiteado um posto menos nobre e mais discreto, o de representante do Brasil na Associação Latino-Americana de Integração, em Montevidéu.REGRAA saída de Guimarães decorre de uma regra da carreira: aos 70 anos, o diplomata tem de, compulsoriamente, se aposentar. Restaria a ele a possibilidade de ser indicado como embaixador político por Lula. Essa alternativa permitiu que, nos últimos anos, houvesse forte aposta em sua indicação para o posto em Buenos Aires. Mas o forte discurso de Lula contra indicações políticas, proferido no início de maio no Itamaraty, fechou essa saída. "Eu me aposento, mas não deixo de ser um ministro de primeira classe (embaixador)", afirmou Guimarães ao Estado, no mês passado, logo após informar que nunca havia pedido o posto em Buenos Aires nem recebido indicação do chanceler nesse sentido.Ao reservar a Guimarães um posto em seu ministério, o presidente Lula emitirá um novo sinal de apreço ao diplomata. O primeiro surgira em 1º de janeiro de 2003, quando Amorim paralisou o auditório do Itamaraty, ao iniciar seu discurso de posse com a nomeação de Guimarães para o segundo posto da casa, a Secretaria-Geral.Na época, o diplomata era visto como a figura excêntrica, de perfil acadêmico, que afrontara o governo Fernando Henrique Cardoso ao condenar as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e defender uma relação mais intensa do Brasil com o mundo em desenvolvimento. Além de co-sogro de Amorim, Guimarães trazia nas entrelinhas de seu currículo a condição de homem de confiança do chanceler de Lula. O embaixador deverá se converter no segundo titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos. O ministério, orientado para o planejamento de longo prazo do País, foi criado em junho de 2007. Nas mãos de Mangabeira, gerou várias polêmicas, sobretudo em relação a temas ambientais.

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