Vaga de Ellen no STF abre disputa

Lula praticamente escolheu Toffoli, mas é pressionado a indicar mulher

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

A provável saída da ministra Ellen Gracie do Supremo Tribunal Federal (STF) neste ano desencadeou uma pressão de setores do governo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela indicação de uma mulher para a vaga. Ellen foi indicada pelo governo para um posto no Órgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, se eleita, deixará o caminho livre para a oitava indicação de Lula para o STF. O movimento, porém, foi deflagrado tarde, depois que o nome do advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, já estava praticamente consolidado dentro do Palácio do Planalto para assumir o lugar.Mesmo assim, sem efeito imediato, as pressões deverão ser lembradas na disputa pela próxima vaga, do ministro Eros Grau, que completa 70 anos em agosto de 2010 e deve ser aposentado compulsoriamente. E o nome que já surge é o da ministra Nancy Andrighi, indicada para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso.Apesar disso, Nancy não tem ligações com PT ou PSDB, dizem ministros do STJ e do próprio STF. Além disso, o governo substituiria uma gaúcha por outra, o que é levado em consideração no preenchimento de vagas dos tribunais superiores. Tanto Ellen quanto Nancy nasceram no Rio Grande do Sul.Para que o nome de Nancy seja realmente indicado, ela terá de enfrentar as movimentações no bastidor de outro colega do STJ, o atual presidente Cesar Asfor Rocha. De acordo com ministros da corte, o presidente Lula teria uma dívida de gratidão com Asfor Rocha pela condução de processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a crise do mensalão.

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