Vacina contra câncer de mama avançado mostra avanços

Depois de cinco cirurgias para deter uma forma especialmente agressiva de câncer de mama, Patricia Thomas acha a espetadela que levou, numa pesquisa governamental, o procedimento mais simples que já teve de enfrentar. A espetadela, acima do joelho, foi uma vacina experimental extraída de partículas de uma proteína de tumor que, os pesquisadores esperam, vai evitar uma recaída na doença da mulher de 70 anos, de Arlington, Virgínia. Embora sejam preliminares, os primeiros resultados obtidos em Patricia e outras 13 sobreviventes, vacinadas, do câncer avançado sugerem que os pesquisadores estão no caminho certo. Eles detectaram sinais de que a vacina precipitou uma resposta do sistema imunológico em todas as 14 pacientes, que pode potencialmente enfrentar as células cancerosas, diz dr. George Peoples Jr., do Centro Médico da Marinha Walter Reed. Eles prepararam os resultados da pesquisa para apresentação, hoje, no encontro do Colégio Americano de Cirurgiões, em Chicago. Dr. Clifford Hudis, especialista em câncer de mama do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, acha os resultados promissores. Embora não esteja claro se serão usados na prevenção da doença, ?são um primeiro passo crucial?. Estudos sobre vacinas são uma área florescente da pesquisa de câncer. Mas, ao contrário das vacinas tradicionais, que geralmente visam a prevenir doenças, algumas vacinas experimentais contra câncer são projetadas para tratar ou curar doenças existentes. Todas as mulheres estudadas no hospital Walter Reed receberam anteriormente tratamento convencional para câncer, que tinha se espalhado em nódulos linfáticos. Não apresentavam sintomas quando foram vacinadas, mas provavelmente tinham células cancerosas remanescentes e enfrentavam um alto risco de recaída. Peoples diz que, se o estudo continuar a apresentar resultados positivos, em poucos anos a vacina poderá ser experimentada em mulheres saudáveis mas com alto risco de câncer de mama. A vacina usada no Walter Reed é segura e não causa efeitos colaterais sérios. O câncer reapareceu em duas mulheres, mas foram elas que apresentaram às mais fracas respostas imunológicas à vacina, segundo Peoples. E o efeito da vacina parece mais promissor ainda se o grupo de 14 vacinadas for comparado a outro, de 20 mulheres, com o mesmo histórico da doença e não vacinadas: a doença reapareceu em todas e muito mais rapidamente ? em média cinco meses depois, contra cerca de 10 meses, nas duas vacinadas. Patricia Thomas, diagnosticada há três anos, conta que, quando o câncer surgiu, lhe prognosticaram cinco anos de vida. Ela sabe que talvez não viva o suficiente para se beneficiar da vacina, mas espera que essa pesquisa beneficie, no futuro, outras mulheres, incluindo duas filhas e netas, que, por causa de um problema genético, enfrentam altas probabilidades de virem a contrair câncer de mama.

Agencia Estado,

22 Outubro 2003 | 16h01

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