Vaccari não faz juramento e diz que ficará em silêncio na CPI dos Fundos de Pensão

Ex-tesoureiro do PT foi vaiado por beneficiários de fundos de pensão presentes à reunião da comissão; ele foi convocado após ser citado por envolvidos em suposta manipulação na gestão dessas instituições

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2016 | 10h41

Atualizada às 14h41

BRASÍLIA - Munido de habeas corpus, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto não prestou juramento prometendo falar a verdade e anunciou que permanecerá em silêncio durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 3. "Agradeço a disponibilidade do tempo, mas exercerei o direito de ficar calado", afirmou o ex-tesoureiro do PT aos membros da CPI, no início da sessão, sendo vaiado por beneficiários de fundos de pensão que estão presentes à reunião da comissão.

O presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB), também protestou. "Se não quiser falar, o senhor vai ouvir. Seu silêncio será ensurdecedor para muitos dos beneficiários que aqui estão", afirmou o parlamentar. "Poderá ser presunção de culpa diante das graves acusações que o relatório final trará", emendou. Nessa terça-feira, o advogado de Vaccari, Luiz Flávio D'Urso, pediu a dispensa de seu cliente, para evitar os gastos com o deslocamento dele de Curitiba, onde está preso pelo seu envolvimento na Operação Lava Jato, para Brasília. O presidente da CPI, contudo, negou o pedido.

"Ficaríamos extremamente prejudicados se sua presença não ocorresse. Não é de bom senso um relatório de CPI indiciar uma pessoa sem dar a ela o direito de defesa", justificou Efraim Filho. "Nunca vi aqui ninguém que veio para CPI e ficou calado ser inocente. Quem veio para ficar calado é porque tinha culpa", acrescentou.

A autorização para que Vaccari fosse trazido a Brasília foi dada pelo juiz Sérgio Moro, que conduz os julgamentos dos envolvidos da Operação Lava Jato na primeira instância. No despacho, o magistrado pediu que a defesa se manifestasse para, caso Vaccari fosse permanecer em silêncio, o presidente da CPI pudesse dispensar o petista.

Na CPI dos Fundos de Pensão, Vaccari foi convocado após seu nome aparecer em depoimentos de pessoas envolvidas em suposta manipulação na gestão dessas instituições. Um desses depoimentos foi o do doleiro Alberto Youssef, que disse ter ouvido falar que o ex-tesoureiro do PT era um dos operadores de alguns fundos de pensão, como Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal).

De acordo com Efraim Filho, a CPI investiga se o ex-tesoureiro do PT teria exercido tráfico de influência junto a fundos de pensão para desviar recursos e atender a interesses políticos e partidários.

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