Vaccari nega irregularidades em gestão da Bancoop

Tesoureiro do PT e ex-presidente da cooperativa presta depoimento nesta terça no Senado

Ana Paula Scinocca, de 'O Estado de S.Paulo'

30 de março de 2010 | 13h13

O tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto, disse em depoimento ao Senado nesta terça-feira, 30, que não houve superfaturamento em sua gestão da cooperativa e que nunca recebeu nenhum dinheiro indevido. “Não houve superfaturamento em nenhuma hipótese. Não houve contribuições a partidos políticos”, assegurou.

 

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O tesoureiro petista disse que tem a consciência tranqüila e que pretende continuar no cargo, a não ser que o partido entenda que ele deva deixar o posto. “Fui eleito tesoureiro do PT e vou continuar até que a direção partidária decida que eu não deva mais ser. Na minha consciência, posso continuar. Na minha modesta opinião, tenho tranqüilidade nestas questões.

 

Vaccari evitou se comprometer com uma possível acareação com o doleiro Lúcio Bolonha Funaro.  “Isso (acareação) temos que discutir depois com a direção partidária”, afirmou. Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o doleiro disse que recursos desviados da Bancoop seriam utilizados para abastecer o esquema do mensalão petista. O Ministério Público paulista  investiga suposto esquema de desvio de recursos da cooperativa para financiamento de campanhas do PT, inclusive as do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Segundo Vaccari, que presidiu a entidade entre 2005 a fevereiro de 2010, das 6.630 unidades habitacionais da cooperativa, 5.609 foram entregues. "Falta entregar 592, mas há negociação na maioria delas", assegurou o petista. "Não houve superfaturamento em nenhuma hipótese. Não houve contribuições a partidos políticos. Isso está auditado." Tanto Vaccari quanto Pedro Dallari, advogado da Bancoop, fizeram suas apresentações utilizando slides.

 

Dallari acusou o promotor José Carlos Blat, do Ministério Público Paulista, que acusa a Bancoop de desvio de recursos para campanhas petistas, de utilizar a mídia para "oxigenar" o inquérito.

 

Dallari negou superfaturamento em obras da Bancoop e disse que R$ 4 milhões foram depositados por cooperados judicialmente. Ele afirmou aos senadores que das 62 perícias judiciais autorizadas nenhuma concluiu descabimento do valor do custo das obras. "Nenhuma perícia indica que o valor cobrado supera o valor de mercado. Isso é importante porque há acusação de desvio. Se não há excesso não pode haver desvio", afirmou o advogado da Bancoop.

 

Dallari observou que Blat acusou pela imprensa, em junho de 2008, a cooperativa ser uma organização criminosa. "Se ele (Blat) achava isso caberia ter tomado medidas, mas não tomou. Fora as declarações à imprensa, não tomou medidas nem em 2008, nem em 2009. Agora, em 2010, voltou a fazer as mesmas declarações", disse. "O que se fez foi que ele oxigenou o inquérito criminal", prosseguiu Dallari.

 

O advogado da Bancoop mencionou ainda que o juiz Carlos Eduardo Lora Franco indeferiu em março os pedidos de bloqueio de contas e quebras de sigilo solicitados por Blat. Por fim, criticou o promotor. "A disposição que o promotor Blat tem em ir à imprensa ele não demonstra nem em ir ao judiciário e nem ao Senado", disse. Blat foi convidado mas não compareceu. Ele alegou a necessidade de realizar exames médicos nesta terça e de ter diligências do caso. Blat convive com um câncer desde 2008.

 

Vaccari e Dallari respondem a perguntas de senadores que integram as comissões de Fiscalização e Controle e Direitos Humanos, no Senado. O depoimento de Vaccari é acompanhado pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra.

 

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