'Vaccari está sereno, mas sofrendo com a injustiça', diz defesa

Em habeas corpus a ser apresentado, defesa pretende contestar ponto a ponto os argumentos do pedido de prisão preventiva

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo , O Estado de S. Paulo

16 Abril 2015 | 17h54

Curitiba e São Paulo - O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, alvo da Operação Lava Jato, está "sereno, embora sofrendo com a injustiça da prisão", segundo um advogado que esteve com ele na manhã desta quinta feira, 16, na Custódia da Polícia Federal em Curitiba (PR). de acordo com o defensor, o petista "está muito confiante na Justiça para restabelecer a sua liberdade e responder o processo em liberdade".

Ainda segundo o advogado, o ex-tesoureiro divide a cela com mais uma pessoa e "passou bem a noite".

O advogado que esteve com Vaccari faz parte da equipe do criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, que coordena a defesa de Vaccari e ficou em São Paulo para elaborar habeas corpus a ser apresentado ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). 

"Vaccari foi tratado com muito respeito pela Polícia Federal e pelos policiais que conduziram a diligência, aliás, padrão de comportamento que deve ser destinado a todas as pessoas", declarou D'Urso.  

Vaccari foi preso por ordem do juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações criminais da Lava Jato - uma delas contra o ex-tesoureiro por corrupção e lavagem de dinheiro. A prisão ocorreu em São Paulo na quarta feira, 15. De carro ele foi escoltado até Curitiba, base da Lava Jato.

No habeas corpus, a defesa pretende fustigar ponto a ponto os motivos que levaram a Justiça a ordenar a prisão de Vaccari. "O que tem de base para decretação da prisão preventiva? Primeiro são palavras de delatores, o que não constitui prova. Nenhum indício de prova existe para corroborar o que esses delatores falaram sobre Vaccari", afirma o criminalista.

D'Urso mira especificamente no relato do delator Augusto Mendonça, executivo de empreiteira que fez parte do cartel na Petrobrás. Segundo Mendonça, o ex-tesoureiro solicitou propinas de R$ 2,5 milhões para depósito na conta da Editora Gráfica Atitude, ligada ao PT. 

"O delator afirma que depositou por suposta orientação do Vaccari valores na conta de uma gráfica. Isso não é verdade, não aconteceu. Ele (Vaccari) não tem nenhuma relação com esse delator, muito menos com esses supostos depósitos a essa tal gráfica", disse. 

Segundo o criminalista, o pedido de prisão preventiva também faz referência a movimento bancário e fiscal tanto da mulher quanto da filha de Vaccari, e levanta suspeitas sobre a origem do dinheiro que foi movimentado nessas contas. "Para tudo isso tem comprovação, tem origem lícita. Esses valores que transitaram nas contas da esposa e da filha de Vaccari são oriundos de remuneração que ele recebeu ao longo dos anos pela sua atividade profissional", afirma D'Urso. 

D'Urso disse que no habeas corpus também vai contestar o argumento de que, solto, Vaccari continuaria tendo influência política e, por isso, poderia atrapalhar as investigações."Essa situação, segundo a decisão, traria algum poder e influência política e, com isso, ele poderia alterar o curso das investigações. Isso é pura elocubração. Primeiro porque a posição de Vaccari como tesoureiro do partido nada tem a ver com o andamento de processo ou das investigações. Segundo ele, o ex-tesoureiro sempre se dispôs a prestar esclarecimentos e toda a cooperação às investigações.

"Apesar disso, diante da própria prisão que ocorreu, Vaccari pediu o afastamento dessa posição no partido, uma vez que recolhido não tem condições de exercer as suas atividades como tesoureiro", pondera o advogado. "Dessa forma verifica-se que aquelas condições que justificam uma prisão preventiva jamais estiveram presentes nesse caso concreto", concluiu. 

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