Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Vaccari deve prestar contas 'ao partido e à sociedade', diz petista

Odair Cunha, secretário do Governo de Minas, lembrou ainda que CPI já quebrou o sigilo de tesoureiro 'e nada foi comprovado'

Marcelo Portela, correspondente, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2015 | 18h58


Belo Horizonte - Licenciado da presidência do diretório mineiro do PT na tarde desta quinta-feira, 5, Odair Cunha afirmou que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, deve "prestar contas ao partido e à sociedade" e "ser responsabilizado" por qualquer eventual "desvio de conduta" que tenha cometido. Pela manhã, Vaccari foi levado para depor na Polícia Federal (PF) em São Paulo por determinação judicial acusado de ter recebido propina para a legenda.

Em depoimento nas investigações da Operação Lava Jato, que apura desvio de verbas da Petrobrás, Pedro Barusco acusou Vaccari de ter recebido US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 em nome do PT. "Qualquer pessoa pública, que ocupa função pública, deve prestar contas ao partido e à sociedade. Pessoas do Partido dos Trabalhadores que se envolverem em qualquer desvio de conduta devem ser responsabilizadas. Isso serve para o cidadão Vaccari como para qualquer outro filiado", declarou Odair Cunha.

Deputado federal reeleito, Cunha se licenciou da direção do PT de Minas mineiro em reunião do diretório estadual realizada nesta quinta por ter assumido o cargo de Secretário de Estado de Governo do Executivo mineiro. Ele foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do atual governador, Fernando Pimentel, e fui substituído interinamente na presidência petista por Maria Aparecida de Jesus, a Cida, integrante da executiva nacional da legenda.

Ao comentar o fato de Vaccari ter sido levado para depor na PF, o secretário avaliou que "se trata de um evento que evidentemente causa impacto e estranheza no interior do partido". "Merece nossa reflexão e ressalta a importância de termos um sistema de financiamento de campanha que seja cada vez mais transparente, público e dê condições efetivas às pessoas poderem participar do processo eleitoral com maior transparência", acrescentou.

Mas salientou que "tudo isso" que Barusco afirmou em delação premiada ele "vai ter que provar na Justiça" e declarou que as acusações de doações ilegais para o partido são "parte do processo de investigação". "Nossa clareza e nosso método de trabalho é de doações formais. Não vamos responder por atos ilícitos de ninguém", ressaltou.

"A CPI quebrou o sigilo bancário do Vaccari e nada foi comprovado. A minha impressão é de que querem criminalizar doações oficiais", emendou o deputado federal Reginaldo Lopes, antecessor de Cunha na presidência do PT mineiro. "As doações oficiais para o PSDB são lucro e o que é doação oficial para o PT é propina? Todas as contas foram aprovadas. Somos os mais interessados em esclarecer tudo sobre esse episódio. Somos o partido que mais combate a corrupção na República", completou.

Apesar das denúncias, tanto Cunha quanto Lopes confirmaram que será mantido o clima de festa nos eventos de comemoração dos 35 anos do PT, marcados para esta sexta-feira, 6, em Belo Horizonte, que vão contar com as presenças da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vários outros expoentes petistas. "Comemoramos o aniversário do partido todos os anos. Vamos festejar nossa história de luta e conquistas sociais ao longo desses 35 anos", disse Odair Cunha.

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