Vaccarezza questiona proposta que mexe no bolso dos deputados

Coordenador do grupo de trabalho sobre reforma política garante que todas as sugestões serão consideradas; redução de salário de deputados é uma das mais populares entre os internautas

Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2013 | 17h09

Coordenador do grupo de trabalho da Câmara que discute a reforma política, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) questionou uma das propostas que vem tendo maior adesão na consulta pública criada pelo próprio grupo na internet, no portal e-Democracia: o corte de gastos parlamentares.

Após disponibilizar a jornalistas o balanço das duas primeiras semanas da consulta, na manhã desta quinta-feira, 8, o petista disse que salário e o número de deputados não representam o "maior custo no funcionamento da Casa".

Na enquete, que já recebeu 52 mil votos em 2.179 temas, as ideias mais apoiadas pela população são o fim de regalias como cota parlamentar para gastos com material, auxílio-moradia, auxílio para o pagamento de assessores e para passagens aéreas, bem como a criação de mecanismos para "regular e limitar" salários dos deputados.

"Acho que a democracia tem custo e é correto ter gasto para viabilizar a democracia", defendeu Vaccarezza.

Outros temas apoiados pelos eleitores na consulta online foram o fim do voto obrigatório, dos cargos comissionados e do voto secreto para todos os casos, tanto na Câmara quanto no Senado. O debate do grupo de trabalho sobre a reforma política pode cer acessado pelo endereço http://edemocracia.camara.gov.br/web/reforma-politica/inicio#.UgQAVdKcfTq.

Apesar de ver com reservas a demanda dos internautas, Vaccarezza disse que o grupo de trabalho vai dar atenção às sugestões. "Tudo o que for colocado vai ser considerado. Não estou dizendo que será aprovado", disse.

Em duas semanas, o portal recebeu 16.000 visitas e 102.000 visualizações. A maior parte dos acessos veio de São Paulo (16,79% das visitas), Rio de Janeiro (10,8%), Brasília (9,77%), Belo Horizonte (5,83%) e Salvador (3,77%).

Relatório. O primeiro relatório com propostas para Reforma Política deve ser produzido até o dia 22 deste mês. Vaccarezza contará com o apoio do deputado Alfredo Sirkis (PV/RJ) na produção do texto.

Segundo Sirkis, a proposta deve incluir o modelo de sistema eleitoral misto (majoritário e proporcional), com redução dos gastos de campanha e limitações de financiamento privado.

"Tem de haver uma limitação drástica do máximo que se pode contribuir em campanha. Essa é uma questão complicada e talvez não se possa contemplar nenhuma das posições que estão presentes (financiamento privado individual ou público)", adiantou o deputado do PV.

Sirkis defendeu que a reforma acabe com a figura do "marqueteiro hollywoodiano". "A mídia tem de ser de grande simplicidade, com o candidato se expondo como ele é", concluiu.

O anteprojeto de Reforma Política em discussão na Câmara deve propor mudanças estruturais que valham para as eleições de 2016 ou 2018. Segundo Sirkis, só será possível apresentar mudanças que valham para 2014 se forem "super consensuais" entre os parlamentares.

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