Ustra se diz vítima de ''revanchistas''

Coronel afirma ter cumprido ordens de superiores, mas nega crimes

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 00h00

Sob investigação do Ministério Público Federal, que suspeita de sua participação, em 1971, no seqüestro e homicídio "com uso de meio cruel e sem possibilidade de defesa" de Luiz José Cunha - o "comandante Crioulo", militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) -, o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra escreveu sua própria defesa, em documento de 31 páginas, e aponta para a ação de "revanchistas de plantão, por vingança".Ele afirma ter cumprido rigorosamente as ordens de seus superiores. Na primeira metade da década de 70, Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de inteligência e repressão do regime."Jamais fiz prisões ilegais, permiti torturas, abusos sexuais, homicídios, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. Jamais fui chamado à atenção por qualquer dos chefes citados. Tenho a certeza de que esses homens, com a sua estirpe e com o seu passado, se vivos fossem, não me deixariam só nesta hora em que os revanchistas de plantão, por vingança, querem colocar-me em julgamento."Na semana passada, o Ministério Público pediu investigação de mortes e seqüestros ocorridos na ditadura e providências penais contra militares e policiais. Ao coronel é atribuído envolvimento na morte de Cunha. Ustra já é alvo de outras duas ações judiciais, uma estadual e outra federal, que visam ao reconhecimento de seu envolvimento em episódios de tortura.Em sua defesa, o coronel sugere que o Exército responda às acusações. "O Exército é uma instituição nacional permanente e creio ser ele quem deve dar a devida resposta a esses detratores, dentro da lei e no interesse da Justiça. Omissão nunca foi característica das suas tradições em nenhuma época. Não fez parte da sua história perder os anéis para salvar os dedos."Apresentou como suas testemunhas o senador Romeu Tuma, "elemento de ligação entre o Comando de II Exército e o Departamento de Ordem Política e Social, órgão no qual estava lotado", e os atuais comandantes do Exército e do Comando Sudeste e os chefes do Estado Maior do Sudeste e do Centro de Inteligência do Exército.

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