USP não encontra saída para greve

Depois da proposta de contratar 91 professores para as disciplinas obrigatórias, a comissão de negociação da greve na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) passou a discutir nesta segunda-feira quantos docentes são necessários para acabar com o cancelamento das matérias chamadas optativas. Apesar do nome, os alunos da USP precisam obrigatoriamente cursar algumas delas para se formarem. "Como faltam professores, muitas optativas deixam de ser oferecidas", diz o aluno Henrique Keeper, membro da comissão. Segundo a reitoria, estudos serão feitos até quinta-feira - dia da próxima reunião de negociação - para se saber qual é o número total de optativas necessárias na unidade. A greve dos alunos passou dos 80 dias. É consenso que a FFLCH tem professores de menos e alunos de mais. Isso acontece não só porque a unidade tem o maior número de vagas no vestibular. Há inchaço na faculdade, porque os alunos chegam e não vão embora tão cedo. A falta de professores leva a um maior número de alunos porque eles não conseguem concluir seus cursos. Esse acúmulo acaba diminuindo mais ainda a relação numérica entre professor e aluno, fazendo com que menos aulas sejam oferecidas e mais estudantes esperem para se formar. "Ou a disciplina não está sendo oferecida ou as vagas já acabaram", diz o aluno de Filosofia Demian Pinto. Muitas vezes, mesmo sem vagas, os alunos entram nas salas, assistem às aulas e depois acabam conseguindo os créditos referentes à matéria. A direção, que já foi acusada de desorganizada pela reitoria, não tem como controlar os alunos. A alternativa foi se juntar a eles e protestar. "Uma grande contratação de docentes pode agilizar o processo e fazer cair o número de alunos", diz o diretor da FFLCH, Francis Aubert. Segundo a vice-presidente da comissão de graduação da faculdade, Maria Vicentina Dick, é difícil conseguir o diploma antes de seis anos de estudo, apesar de a previsão é que os cursos durem oito semestres. O último Anuário Estatístico da USP mostra que, em 2000, 315 alunos se graduaram na FFLCH, sendo que todo ano ingressam 1.659. Em outras unidades da área da humanas, como na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, tornaram-se bacharéis 408 alunos e as vagas no vestibular costumam ser 450. A Escola Politécnica, que recebe a cada ano cerca de 750 novos estudantes, formou 464 engenheiros em 2000. Segundo curso - A faculdade também é conhecida por ser a que mais recebe alunos que já concluíram outra graduação e estão lá apenas para, segundo Aubert, "abrir a cabeça". Conciliando trabalho e estudos, acabam levando o curso lentamente. O diretor estima que 15% a 20% dos estudantes estejam nessa situação. "O objetivo de muita gente não é o diploma", diz Carina Bernini, que há seis cursa Geografia e é formada em Turismo. Até o ano 2000, as regras da universidade permitiam que o aluno trancasse a matrícula por até cinco anos. Se não voltasse, era desligado. Agora, o prazo máximo é de dois anos. Mesmo assim, ele pode ficar até dois semestres sem se matricular em nenhuma disciplina ou ainda três semestres sem pontuar crédito algum. Na FFLCH, o tempo máximo permitido para ficar no curso é de oito anos, mas uma portaria autoriza o regresso do aluno - mesmo jubilado - caso tenha concluído mais da metade da graduação. O estudante pode ainda prestar novo vestibular e aproveitar os créditos do curso antigo. Assim, não é raro encontrar estudantes da década de 80 ainda pelos corredores da FFLCH.

Agencia Estado,

23 Julho 2002 | 03h08

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