Uso de laranjas em rádio leva Senado a pedir novo processo contra Renan

Álvaro Dias reúne Mesa na quinta, diz que não há como senador escapar de investigação e defende afastamento

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

A entrevista do empresário João Lyra, confirmando que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) usava laranjas para esconder a sociedade dos dois em empresas de comunicação, praticamente selou a decisão da Mesa do Senado de mandar para o Conselho de Ética o terceiro pedido de processo contra o presidente do Congresso. A representação contra Renan, nesse caso, foi apresentada pelo PSDB e pelo DEM e será votada em reunião da Mesa marcada para quinta-feira. Veja especial do caso RenanEm entrevista à revista Veja, o usineiro, que hoje é adversário de Renan, confirmou a sociedade com o peemedebista. Na parceria, entre 1999 e 2005, para a compra da JR Radiodifusão e de O Jornal, Renan teria investido R$ 1,3 milhão, segundo Lyra. Ele contou que, como o senador não podia aparecer, registrou a empresa em nome de Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, e Tito Uchôa, seu primo.O segundo vice-presidente do Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), adiou de hoje para quinta-feira a reunião da Mesa para analisar o provável encaminhamento do terceiro processo contra Renan ao Conselho de Ética. O tucano será o responsável por presidir a reunião, já que o primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), estará fora, em compromisso no seu Estado.Dias negou que o atraso seja ''''manobra protelatória''''. ''''A reunião foi adiada pela necessidade de notificar o senador Renan, que só chega amanhã (hoje) à tarde em Brasília'''', explicou. Ele deu como certo o envio da representação: ''''Não resta alternativa. A Mesa enviará. A decisão é de natureza formal.''''O senador tucano defendeu, ainda, o afastamento de Renan da presidência do Senado até que as denúncias sejam esclarecidas. ''''Ele deveria se afastar para evitar constrangimentos e para que a instituição não sofra mais desgaste'''', anotou.De Belo Horizonte, onde participou de um encontro com lideranças do PSDB, a senadora Marisa Serrano (MS) - que integra o trio de relatores do primeiro processo contra Renan, por acusação de ter usado recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar despesas pessoais - afirmou à rádio CBN que a oposição se sente ameaçada e coagida com a permanência do peemedebista na presidência.DEFINIÇÃOA Mesa já enviou ao conselho pedido de um segundo processo, pela suposta interferência de Renan para favorecimento da cervejaria Schincariol junto à Receita Federal e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O presidente do colegiado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), confirmou ter convidado os mesmos relatores - Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano e Almeida Lima (PMDB-SE) - para que assumam a relatoria desse processo. Casagrande e Marisa resistem, mas prometeram uma resposta hoje para Quintanilha.''''Vamos conversar, mas há o temor de que a relatoria de um possa atrasar o outro processo'''', justificou Casagrande. ''''Vou esperar a resposta deles . Em caso de negativa, teremos alternativa'''', disse Quintanilha.Por meio de sua assessoria, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou esperar para hoje pela manhã uma resposta de Lyra sobre o convite para que esclareça no Senado como foi montada a sociedade secreta com Renan. De São Paulo, onde passou o final de semana e o dia de ontem, o senador avisou que pediu ajuda a um amigo, que é delegado da Polícia Federal em Alagoas, para que o usineiro fosse localizado com rapidez.OBSTRUÇÃOEnquanto isso, os partidos de oposição pretendem continuar a obstruir as sessões do Senado, tentando conseguir o afastamento de Renan. ''''A oposição pretende manter a obstrução e convoca o governo à responsabilidade. Se o governo tem interesse na votação de projetos no Senado, deve naturalmente agir para fazer com que esse impasse seja superado o mais rapidamente possível'''', alegou Dias.O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que vai procurar o PSDB e o DEM para pedir que façam ''''uma obstrução seletiva'''', para que projetos de interesse do País não sejam prejudicados ''''por uma guerra política interna''''. O Palácio do Planalto tem pressa na aprovação da medida provisória das dívidas dos agricultores, no pacote de segurança pública e na prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação das Receitas da União (DRU).

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