Uso de droga injetável volta a crescer e aumenta risco de aids

Autoridades em prevenção de aids estão preocupadas com a intensificação do uso de drogas injetáveis entre paulistas. Depois de um período de declínio - atribuído principalmente à chegada do crack - especialistas notaram o recrudescimento do uso da droga injetável.A tendência foi constatada em três pontos do Estado: região da Baixada Santista, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. Em São Paulo, embora não haja números oficiais, o aumento também é relatado por profissionais de saúde."Não há como assistir a esse fenômeno parado", afirma o coordenador do programa municipal de DST-Aids, Fábio Mesquita. Ele teme que a mudança traga o aumento do número de infecções pelo HIV. Sem orientação adequada, consumidores de drogas injetáveis tendem a compartilhar seringas com companheiros, situação de risco para contrair o vírus da aids. Na tentativa de conter o risco, será lançado na cidade um programa de redução de danos, que prevê a troca de seringas usadas por novas. Programas como esses surgiram na década passada no País e apresentam bons resultados. Já existem 78 projetos semelhantes no Brasil, 17 deles no Estado. A idéia de que o problema de transmissão de aids por meio de drogas injetáveis estava contornado é incorreta. Em São Paulo, somente no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Pirituba, foram realizados 400 exames para diagnóstico do HIV em agosto. Vinte e sete foram positivos e, destes, em 16 o meio de transmissão foi droga injetável. "É uma amostra isolada, mas sinaliza que o problema não pode ser colocado de escanteio." Por outro lado, os índices de mortalidade entre usuários de drogas não caíram tanto quanto em outros grupos após o uso do coquetel antiaids. No ano passado, morreram 1.300 pacientes que contraíram o vírus por meio de drogas injetáveis. Até julho deste ano, foram 700.

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