Usineiro é preso sob acusação de fraudar o INSS

Dono das usinas Santa Rita, em Santa Rita do Passa Quatro, e Maringá, em Araraquara, o empresário Nélson Afif Cury, de 53 anos, foi preso, no início da noite de ontem, pela Polícia Federal de Araraquara, acusado de fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em pelo menos R$ 69 milhões - esse número pode chegar a R$ 300 milhões, envolvendo as duas empresas, mas isso ainda está sendo investigado. Cury foi surpreendido, pois foi pedir uma audiência com o juiz, sobre outro caso, e não sabia que o juiz federal de Araraquara, Paulo Ricardo Arena Filho, havia decretado a sua prisão preventiva no dia anterior. Logo após ser preso, o usineiro teria passado mal e foi levado ao hospital Beneficência Portuguesa, onde permanece internado. Seus advogados entraram com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça (TJ), em São Paulo, para revogar a prisão.Cury seria diabético e hipertenso. Policiais o estão escoltando o usineiro hospital. O delegado da PF em Araraquara, Cláudio Cavallaro, cumpriu o mandado de prisão, após o juiz ter aceito o pedido feito pelo procurador da República, Osvaldo Capelari, na terça-feira. Capelari alegou que Cury cometeu duas vezes o crime do colarinho branco (contra instituições financeiras federais) em dois financiamentos, usando ainda nove vezes documentos falsos (Certidão Nacional de Débito e certidões de quitações de tributos federais), além de ter cometido estelionato contra a Coopercitrus (oferecendo terras da Usina Maringá como garantia de uma hipoteca, mas não podia fazer isso, pois a área já tinha sido penhorada pelo INSS)."Ninguém esperava que ele (Cury) aparecesse no prédio da Justiça Federal e fosse preso tão rápido, prevíamos dificuldades para isso, já que até para intimá-lo era uma tarefa complicada", disse Capelari. A defesa do usineiro tenta argumentar, no TJ, que não era necessária a prisão de Cury, que tem endereço fixo e está prestanto informações à Justiça Federal quando é convocado. Esse, porém, não é o primeiro escândalo envolvendo a família do usineiro. Em 5 de abril de 1997, seu filho, Marcelo Cury, envolveu-se numa briga, em frente à antiga Choperia Albano´s, numa das principais avenidas de Ribeirão Preto, e atirou contra três homens. Marco Antonio de Paula e João Falco Neto morreram na hora e Sérgio Nandruz Coelho ficou ferido, com várias seqüelas.Na fuga, em Araraquara, Marcelo capotou um carro e o executivo das empresas da família, Archimedes Castro Ramos Neto, morreu. Marcelo teve sua prisão decretada, mas, enquanto estava foragido, seus advogados conseguiram evitar que ela ocorresse. Um dos advogados contratos pela família para defender Marcelo, na época, é o atual ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.