Usei termos impróprios e me desculpei com ruralistas, diz Minc

Ministro usou termo 'vigaristas' e foi convocado por deputados para se explicar; ele diz que não vai se humilhar

Célia Froufe, da Agência Estado,

24 de junho de 2009 | 11h29

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acredita que os deputados da bancada ruralistas serão duros com ele durante audiência pública da comissão de agricultura, marcada para esta quarta-feira, 24. "Sei que eles vão apertar meu calo, mas tenho casca grossa", afirmou à imprensa, quando chegou ao local. Minc foi chamado pela bancada porque, no final do mês passado, durante uma manifestação com trabalhadores da área agrícola, o ministro chamou os produtores de "vigaristas" e os parlamentares buscam agora uma explicação para o uso do termo.

 

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"Usei expressões impróprias, típicas de quem estava em cima de um carro de som, exaltado", admitiu. Minc lembrou que já se desculpou com os que se consideraram ofendidos por ter sido "indelicado" com a bancada ruralista. "Mas os parlamentares também falaram de mim, me chamaram de traficante para baixo", rebateu.

 

O ministro salientou que entende a indignação por parte dos parlamentares. "A maior parte da minha vida estive sentado na cadeira em que eles estão. Não vou criticá-los, pois a vida toda fiz isso", argumentou. Minc garantiu que não se humilhará nem se acovardará durante a audiência pública desta manhã, apesar de ele e os parlamentares presentes terem avaliações divergentes a respeito do espaço ocupado pelo setor para a produção de alimentos.

 

Questionado sobre se mediria as palavras após esse evento, Minc declarou: "Meu estilo é mais descontraído, estou até com o meu colete por baixo do paletó. Sou 'sincericida', mas realmente a expressão foi descabida". Ele comentou também que está sempre envolvido em polêmicas, como a de ter participado da passeata a favor da descriminalização da maconha e a defesa do casamento entre homossexuais. "Parece que tenho atração fatal pela confusão, mas é porque não fujo desses temas", comentou.

 

Minc disse ainda que, apesar de admitir que cometeu um erro, há divergências entre ele e os ruralistas que devem permanecer. "Tenho grande entrosamento com a agricultura familiar e já possuo diálogo com a soja, com a cana e agora tento reestabelecer o diálogo com a pecuária", afirmou. O ministro salientou também que quer deixar claro na bancada que não prega a luta de classes no campo. "Mas defendo, sim, um tratamento diferenciado entre o agricultor familiar e o empresarial."

 

O ministro disse estar tranquilo também em relação a sua atuação à frente da pasta, pois, em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente teria mostrado bom humor ao verificar que o ritmo de crescimento do desmatamento está diminuindo no País e que isso já vem sendo reconhecido no exterior.

 

Minc foi chamado pela bancada na semana passada, mas não compareceu porque estava em viagem pelas cidades de Fortaleza, Natal e Alta Floresta. "Estava em um agenda diversificada, com temas importantes e que já estava marcada há mais de um mês", justificou.

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