Uruguaios criticam promessas de Lula para agradar país

Os agrados feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao seu colega uruguaio Tabaré Vázquez, para que seu país não abandone o Mercosul, "são ambíguos e soam mais como autorização para que o Uruguai siga em frente nas negociações com os EUA". A avaliação foi feita pelo cientista político Adolfo Garcé, de Montevidéu."Se o Uruguai negociar um tratado de livre comércio com os americanos, não será raro se o Brasil disser sim", afirmou ele ao diário El País, apesar de o chanceler Celso Amorim ter declarado o contrário.O acerto Lula-Vázquez foi recebido com ironia pelo ex-presidente uruguaio Luiz Alberto Lacalle. "Lula vem por apenas seis horas", com uma liderança "autoproclamada", que "ninguém lhe concedeu e que ele terá de conquistar", atacou. Ele deveria "primeiro levantar as restrições ao arroz, as restrições dos governos locais e depois falar do Mercosul".Para o professor Antonio Correia de Lacerda, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Lula "agiu proativamente e mostrou habilidade, ao obter o compromisso antes da chegada de George Bush".Lacerda considera importante preservar o Mercosul, "apesar de tantos percalços e disparidades". Não é possível saber quanto custarão as concessões, diz, "mas é razoável que o Brasil ofereça algumas vantagens".Diplomata experiente, o embaixador Sebastião do Rego Barros também acha que Lula "fez a coisa correta". É complicado lidar com as muitas diferenças nesses encontros, diz ele, "e há muitos setores no Uruguai com interesse enorme em um acordo com os EUA".

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