Uruguai elogia propostas concretas do Brasil ao país

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, disse nesta segunda-feira que suas reivindicações sobre as assimetrias entre as economias do Mercosul estão sendo atendidas com "medidas concretas" por parte do governo brasileiro. Vázquez recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na casa de campo presidencial de Anchorena, na cidade de Colônia, no Uruguai. "Nesta visita do presidente do Brasil e de sua delegação, reconhecemos que os pedidos que havíamos feito na reunião da Cúpula do Mercosul encontraram amplíssimo eco do governo do Brasil, como sabíamos que encontraríamos." No mês passado, o Uruguai fez duras críticas ao tratamento que vinha recebendo no Mercosul. Além disso, assinou um acordo com os Estados Unidos, levantando dúvidas entre os sócios sobre sua permanência no bloco do Conesul. O governo brasileiro insiste que acordos com países fora do bloco podem ser firmados por membros do Mercosul, desde que respeitem as normas do bloco. EUA Lula comentou a visita daqui a dez dias do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à América do Sul. Lula disse que o Uruguai deve discutir com Bush temas de seu interesse, assim como o Brasil irá debater questões da agenda nacional como a produção de biocombustíveis. "A relação do Mercosul não impede que isso aconteça. É preciso que cada país possa cuidar dos seus interesses, levando em conta que temos regras que nos obrigam enquanto Mercosul a termos determinados procedimentos, mas sem tolher a liberdade de cada país de fazer os acordos com seus interesses soberanos", destacou Lula. O presidente voltou a falar sobre a responsabilidade do Brasil como maior economia do bloco e, por isso, principal apoiador e comprador da produção de países menores. Lula admitiu que nenhuma integração regional avançará se os acordos não forem justos. "Se não houver decisão de garantir equilíbrio, não haverá Mercosul, União Européia, ou qualquer acordo internacional." Alegando déficit comercial no Mercosul, o Uruguai negocia acordo comercial com os norte-americanos, o que muitos especialistas consideram uma espécie de primeiro passo para um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos. As regras do Mercosul impedem que os sócios firmem TLC com nações de fora do bloco. Valores Brasil e Uruguai assinaram cinco acordos nesta segunda-feira com promessas de investimentos brasileiros nas áreas de indústria têxtil, autopeças, biocombustíveis, mineração, energia, restauração e construção de pontes entre os países, entre outros assuntos. O total dos valores a serem investidos pelo Brasil no Uruguai não foram revelados, mas incluem US$ 130 milhões para instalação de uma fábrica de cimento brasileira no país, investimentos da Petrobras na produção de biocombustíveis e financiamentos do BNDES a serem coordenados pelo Banco do Uruguai. Além dos investimentos, o Brasil se comprometeu a trabalhar na flexibilização das normas do Mercosul, para permitir que economias menores possam buscar vantagens fora do bloco. "Política internacional é uma via de duas mãos. É preciso que a gente venda, mas também é preciso que a gente compre", disse Lula. Uma das principais reclamações do Uruguai é sobre a balança comercial deficitária que mantém com o Mercosul. Para o ministro Celso Amorim, "pela primeira vez, os problemas do Mercosul estão caminhando do geral para o específico, e não o contrário". ´Justiça´ Vázquez elogiou as ofertas feitas pelo Brasil e disse que nos processos de integração entre países grandes, as assimetrias precisam ser cuidadas "não por dádiva, não por caridade, mas sim por Justiça". "Nesta visita, recebemos a melhor resposta para esse pedido e respostas concretas à necessidade de trabalhar de forma complementar", disse. O ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori - um dos principais críticos no governo de Vázquez do Mercosul e apoiador do aprofundamento das relações do país com os Estados Unidos - reconheceu que o país deve respeitar as regras do Mercosul ao buscar acordos com outros países, como os Estados Unidos. No entanto, não deixou de fazer críticas ao governo brasileiro. Perguntado se a evolução das relações comerciais de Montevidéu com Washington não ia contra os princípios do Mercosul, ele respondeu: "os incentivos dados (pelo governo brasileiro) na Zona Franca de Manaus também vão de encontro ao Mercosul".

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