Uruguai e Brasil firmam acordos para energia e comércio

Os presidentes do Brasil e Uruguai firmaram nesta segunda-feira, 26, acordos para avançar negociações e fechar programas de comércio e cooperação energética, um passo exigido com insistência pelo governo do uruguaio Tabaré Vázquez. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao país nesta segunda-feira para discutir os pedidos de Vázquez pela abertura de mais mercados ao Uruguai, mas também para expressar a posição contrária do Brasil e do Mercosul a respeito de acordos comerciais fora do bloco. A visita de Lula ao Uruguai acontece dez dias antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, país com o qual Montevidéu analisa a possível implantação de um Tratado de Livre Comércio (TLC). Os documentos assinados pelos dois presidentes consistem em um memorando de entendimento para a promoção de comércio e investimentos, um protocolo de intenções sobre um programa de cooperação na área de biocombustíveis e um protocolo adicional para a criação de uma comissão mista permanente para energia e minério. Além disso, ambos se comprometeram a reconstruir a ponte Barão de Mauá e levantar outra sobre o rio Yaguarón, as duas na fronteira. Antes do feriado do carnaval, o presidente da Bolívia, Evo Morales, veio ao País e Lula também cedeu a suas exigências. Quebrou a resistência de nove meses do governo brasileiro em reajustar o preço do gás natural boliviano exportado para a Petrobras e concedeu o aumento. Queixas do Uruguai Uruguai e Paraguai, os dois membros com as menores economias do Mercosul, haviam mostrado descontentamento com os parceiros maiores - Argentina, Brasil e Venezuela - a respeito das profundas assimetrias do bloco. As queixas do Uruguai são conhecidas, se avolumam há mais de quatro anos e estão estampadas na balança comercial bilateral. Em 1998, o Uruguai exportou para o Brasil US$ 1,42 bilhão - a maior cifra histórica. O Brasil importou US$ 880,6 milhões em produtos uruguaios, o que rendeu ao vizinho um superávit de US$ 161,5 milhões. Desde então, as compras brasileiras despencaram. Só voltaram a crescer em 2006, quando chegaram a US$ 618,2 milhões. O saldo comercial, entretanto, foi negativo em US$ 387,9 milhões por conta do recorde de US$ 1,006 bilhão em exportação brasileira ao vizinho. Os uruguaios queixam-se de legislações do Rio Grande do Sul e de controles federais, que atrapalham exportações de arroz e outros itens para o Brasil. Alegam que os órgãos reguladores brasileiros atuam em duplicidade e reclamam da tributação sobre serviços prestados no exterior - fato que inviabiliza o conserto, em estaleiros uruguaios, de navios da Petrobrás. Segundo o presidente brasileiro, todos os membros do Mercosul devem estar satisfeitos com os benefícios e vantagens da união dos países sul-americanos, segundo disse no último domingo em entrevista a um jornal uruguaio. (Denise Chrispim Marin)

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