Urna que lê digitais apresenta problemas

Em Fátima do Sul (MS), 30% dos eleitores não foram reconhecidos

O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

Novidade na eleição deste ano, a urna biométrica foi usada nos municípios de Fátima do Sul (MS), Colorado do Oeste (RO) e São João Batista (SC). Com média de 15 mil eleitores, essas cidades foram escolhidas para usar pela primeira vez o sistema que, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), poderá ser estendido para todo o País em, no máximo, oito anos. Em pelo menos um dos casos, em Fátima do Sul (MS), o teste não teve o resultado esperado. A votação foi marcada pela lentidão no registro dos votos e pelo constrangimento dos eleitores. Cerca de 30% dos que votaram até o início da tarde de ontem não foram reconhecidos pelas urnas. Com a urna biométrica, o eleitor é identificado pela digital, o que impede que uma pessoa vote no lugar de outra.Cada eleitor da cidade sul-mato-grossense gastou, em média, 1 minuto e 40 segundos para votar, quando o tempo esperado era de 40 segundos. A juíza eleitoral da cidade, que fica a 243 quilômetros de Campo Grande, Ana Carolina Borges da Silva, disse que "não foi por falta de orientação".Para o chefe do cartório eleitoral, Flávio Alexandre Martins Nichiku, a demora foi causada por causa do reconhecimento biométrico de alguns eleitores, que tiveram de voltar aos mesários e votar pelo sistema convencional.Nichiku explicou que desde o início do ano, quando foram recolhidas as impressões digitais dos dez dedos das mãos de cada votante, a textura da pele foi alterada, principalmente dos trabalhadores braçais.O equipamento é bastante sensível, e qualquer alteração na pele compromete a leitura das digitais, mesmo contendo os traços de todos os dedos das mãos, conforme ocorreu com vários trabalhadores rurais, alguns deles com ferimentos em dois e até três dedos. Também o clima frio e chuvoso colaborou no estreitamento das linhas digitais, impedindo o reconhecimento do eleitor.As reclamações dos eleitores foram ouvidas pelo chefe do cartório, que percorreu todas as urnas em que votam 14.038 pessoas.A votação biométrica, porém, mostrou algumas vantagens em relação às urnas comuns, entre elas evitar constrangimentos de analfabetos, que não precisam mais colocar a impressão digital do polegar direito na ficha de votação, diante dos mesários. Um pedreiro foi quem lembrou da vantagem, mas reclamou que as novas urnas descobriram outro tipo de exclusão: "A dos sem impressões digitais."O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, elogiou o desempenho das urnas. Segundo ele, houve 0,01% de não reconhecimento de digitais, fato justificado pelas urnas estarem em regiões com maior chance de as pessoas terem digitais modificadas no trabalho.JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO, MARIÂNGELA GALLUCCI E FABIO GRANER

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